A decisão (se confirmada), da empresária Jéssica Riva de disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso muda de forma sensível o tabuleiro político dentro do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e impõe novos desafios ao ex-prefeito de Primavera do Leste, Leonardo Bortolin.
Inicialmente, Jéssica havia sinalizado que poderia recuar. No entanto, sob incentivo direto do pai, o ex-deputado José Riva, voltou atrás e demonstra disposição para enfrentar as urnas. A movimentação consolida uma estratégia familiar: enquanto a deputada estadual de terceiro mandato Janaína Riva deve concorrer ao Senado, a irmã assume o projeto de manter o sobrenome Riva na Assembleia.
A estratégia é clara. Janaína, que herdou do pai o capital político e eleitoral, busca ampliar sua projeção ao Senado, abrindo espaço para que Jéssica preserve a representatividade do grupo no Legislativo estadual. Trata-se de uma transição planejada, com foco na continuidade de influência institucional e territorial.
Impacto direto sobre Bortolin
Para Leonardo Bortolin, o cenário se torna mais complexo. Até então, havia a expectativa de que, com Janaína fora da disputa para deputada estadual, parte expressiva de seus votos pudesse migrar de forma indireta para ele, sobretudo em regiões onde a deputada tem forte penetração eleitoral. Essa transferência, ainda que não formal (Janaína é considerada madrinha política do ex-prefeito), era vista como um ativo importante para fortalecer sua pré-candidatura.
Com Jéssica no páreo, porém, a tendência natural é que o eleitorado mais fiel da família Riva concentre votos na própria sucessão familiar. O apoio político da deputada pode até permanecer, mas a lógica eleitoral indica que a prioridade será assegurar a cadeira da irmã, especialmente em um cenário de disputa acirrada dentro da legenda.
Tensão interna no MDB
A movimentação também gerou ruídos internos. O ex-prefeito de Juara, Carlos Sirena, havia se lançado pré-candidato com a sinalização de apoio de Riva na região do Vale do Arinos. A mudança de rota frustra acordos políticos regionais e pode provocar rearranjos nas bases.
Além disso, o MDB já conta com deputados estaduais com mandato e estrutura consolidada. Em eleições proporcionais, o embate não é apenas contra adversários de outros partidos, mas dentro da própria chapa. Cada candidato precisa buscar alta votação individual para garantir espaço entre os mais votados da sigla.
Se Jéssica alcançar desempenho expressivo, pode assegurar sua vaga sem necessariamente ampliar o número total de cadeiras do MDB, que pretende conquistar pelo menos quatro cadeiras. Nesse caso, o partido manteria sua bancada, mas com troca de nomes, e não com abertura de novas posições. Para Bortolin, isso significa que não basta contar com o crescimento do partido; será necessário superar colegas de legenda que já ocupam cadeira na Assembleia.
Disputa por território eleitoral
Outro ponto crucial é a territorialização dos votos. O grupo Riva possui bases consolidadas em diversas regiões do Estado. Bortolin, embora tenha força em Primavera do Leste e entorno, precisará expandir seu alcance para evitar sobreposição direta com a candidatura de Jéssica.
A entrada da empresária no processo eleitoral também reforça o peso do sobrenome na disputa. Em Mato Grosso, onde redes políticas regionais ainda têm grande influência, a marca familiar pode ser determinante na fidelização de eleitores.
Cenário em aberto
O que se desenha é um cenário de disputa intensa dentro do MDB, com efeitos diretos sobre as chances de Leonardo Bortolin. A eventual consolidação da candidatura de Jéssica Riva tende a reduzir a margem de crescimento baseada apenas na transferência de capital político da irmã.
Para se viabilizar, o ex-prefeito precisará construir uma identidade eleitoral própria, ampliar alianças e buscar votos além do eixo tradicionalmente alinhado à deputada. Caso contrário, corre o risco de ver a reorganização interna do grupo Riva fechar as portas que, até pouco tempo atrás, pareciam mais acessíveis rumo à Assembleia Legislativa.
