A brucelose, doença infecciosa que afeta principalmente bovinos e bubalinos, segue sendo motivo de alerta em Primavera do Leste e região. O esponsável pelo INDEA-MT no município, Adelar Mariotti, reforçou a importância da prevenção, destacando que a enfermidade também pode atingir seres humanos, sendo classificada como uma zoonose.
Segundo ele, o risco de contaminação em pessoas está diretamente ligado ao contato com animais infectados ou ao consumo de produtos de origem animal sem os devidos cuidados sanitários.
“É uma doença que pode ser transmitida ao ser humano, principalmente no manuseio de animais, carcaças, restos de aborto e também pelo consumo de leite cru ou carne sem procedência adequada”, alerta.
Mariotti explica que profissionais como médicos veterinários, vacinadores, trabalhadores rurais e funcionários de frigoríficos estão entre os grupos mais expostos. Além disso, acidentes durante a aplicação da vacina, que é feita com agente vivo, também podem representar risco de infecção.
Os sintomas em humanos podem incluir febre, dores nas articulações e mal-estar geral, o que muitas vezes dificulta o diagnóstico imediato. “Já tivemos registros no passado, quando a doença era mais comum na região. Hoje houve uma redução significativa graças ao controle sanitário, mas o risco ainda existe”, pontua.
De acordo com o coordenador, anos atrás os índices de contaminação em rebanhos chegaram a cerca de 28% em algumas propriedades. Com o avanço das ações sanitárias, como testagens, descarte controlado de animais positivos e intensificação da vacinação, esse cenário foi revertido.
Vacinação é obrigatória e fundamental
A principal forma de prevenção continua sendo a vacinação do rebanho, que é obrigatória para fêmeas bovinas e bubalinas com idade entre 3 e 8 meses. A imunização ocorre em duas etapas ao longo do ano: de janeiro a junho e de julho a dezembro.
“Todo produtor que tiver bezerras nessa faixa etária precisa vacinar e fazer a identificação do animal (B19 – utilizar o último dia do ano no lado esquerdo da cada. Por exemplo: o ano de 2025 marcar somente o número “5”; já no caso da vacina com RB51 – marcar no lado esquerdo somente o “V”). “Esse controle é essencial para garantir a sanidade do rebanho”, destaca Mariotti.
A marcação das bezerras vacinadas, feita no lado esquerdo do rosto, também é uma exigência legal e auxilia na fiscalização. O não cumprimento das regras pode resultar em penalidades ao produtor.
O coordenador ainda reforça que a vacinação deve ser realizada por profissionais habilitados, garantindo segurança tanto para o rebanho quanto para quem executa o procedimento.
Consumo seguro e cuidados no campo
Outro ponto de atenção é o consumo de leite cru, prática ainda comum em algumas propriedades. Segundo Mariotti, ferver o leite elimina a bactéria causadora da brucelose, reduzindo o risco de transmissão. “O consumo de leite direto da ordenha, sem fervura, é um dos principais perigos. O mesmo vale para produtos sem inspeção sanitária”, explicou.
No caso da carne, quando proveniente de animais positivos identificados em inspeções, o destino não é o consumo in natura, mas sim o processamento industrial sob rigoroso controle, onde o calor elimina a bactéria.
Trabalho contínuo de controle
O INDEA-MT mantém programas permanentes de controle da brucelose, com fiscalização, orientação aos produtores e monitoramento dos rebanhos. Em Primavera do Leste, o trabalho é intensificado para evitar novos casos e garantir a segurança sanitária.
“O controle da brucelose depende do compromisso de todos. O produtor precisa fazer a sua parte, seguindo as orientações e mantendo a vacinação em dia”, concluiu Mariotti.
O alerta é claro: prevenir é a melhor forma de proteger o rebanho, evitar prejuízos econômicos e, principalmente, preservar a saúde da população.
