A suspensão da cobrança de pedágio na MT-130, no trecho entre Primavera do Leste e Paranatinga, durou menos de um dia. A decisão que havia sido comemorada por motoristas e usuários da rodovia foi rapidamente revertida pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, reacendendo críticas sobre a qualidade do serviço prestado pela concessionária Rota dos Grãos.
A reviravolta ocorreu nesta quinta-feira, 23, quando o desembargador Márcio Vidal, em decisão liminar, acatou um Agravo de Instrumento apresentado pela empresa e restabeleceu a cobrança da tarifa. Na prática, a medida derrubou a decisão de primeira instância que havia suspendido o pedágio justamente por questionamentos sobre as condições precárias da rodovia.
A ação original foi movida pela Associação Mato-Grossense dos Municípios, que apontou falhas estruturais no pavimento e cobrou providências urgentes. Em resposta, a Justiça de Primavera do Leste havia determinado não apenas a suspensão da tarifa, mas também a realização de melhorias emergenciais: uma decisão que, no entanto, teve vida curta.
Enquanto a concessionária agiu rapidamente nos bastidores jurídicos e conseguiu reverter a decisão em tempo recorde, motoristas que trafegam diariamente pela MT-130 continuam enfrentando um cenário bem diferente da agilidade vista no tribunal. Buracos, desgaste do asfalto e trechos comprometidos seguem sendo alvo constante de reclamações, especialmente em um dos principais corredores logísticos do agronegócio mato-grossense.
Na decisão, o magistrado justificou que a suspensão do pedágio poderia comprometer a “equação econômico-financeira” do contrato e trazer riscos à continuidade dos serviços. Também mencionou o possível impacto na execução de obras de manutenção e recuperação da rodovia.
O argumento, no entanto, levanta um ponto sensível: se a arrecadação é mantida sob a justificativa de garantir melhorias, por que os problemas estruturais persistem a ponto de motivar uma ação judicial?
A decisão do Tribunal adota, segundo o relator, uma posição intermediária, mantendo a cobrança enquanto o mérito do caso ainda será analisado. Na prática, porém, o efeito imediato é claro: o pedágio segue sendo cobrado normalmente, mesmo diante das queixas recorrentes de quem depende da rodovia.
Agora, o processo continua em tramitação, e a expectativa recai sobre a fiscalização e a eventual apresentação de um plano concreto de obras por parte da concessionária. Enquanto isso, motoristas seguem pagando a conta — literalmente — em uma estrada que, segundo usuários, está longe de oferecer as condições prometidas no contrato de concessão.
