O cenário dentro do MDB de Mato Grosso ficou consideravelmente mais apertado — e tenso — para quem pretende disputar uma vaga na Assembleia Legislativa. A entrada de Jéssica Riva no páreo muda o equilíbrio interno de forças e provoca um efeito direto sobre a competitividade da chapa.
Filha do ex-deputado José Riva e irmã da atual deputada Janaína Riva, Jéssica carrega um capital político consolidado, especialmente pela estrutura eleitoral historicamente associada à família. Nos bastidores, a leitura predominante é de que José Riva deve concentrar esforços na eleição da filha, o que naturalmente gera desequilíbrio na disputa interna, ainda que formalmente o discurso seja de igualdade entre os pré-candidatos.
Além disso, o fator Janaína pesa. Como pré-candidata ao Senado, a tendência é de que sua campanha majoritária acabe sendo “casada” com a da irmã, ampliando o alcance eleitoral de Jéssica. Isso cria um efeito cascata dentro da chapa, já que os demais postulantes passam a disputar espaço em um ambiente onde um nome tende a largar com maior visibilidade e estrutura.
Outro ponto que agrava a situação é a frustração em torno das articulações de Eduardo Botelho. Ao se filiar ao MDB, havia a expectativa de que ele traria nomes competitivos para fortalecer a chapa proporcional. No entanto, isso não se concretizou, reduzindo o potencial coletivo de votos e, consequentemente, o número de cadeiras projetadas, que caiu de quatro para três.
Com isso, o MDB passa a configurar o que, no jargão político, se chama de “chapa pesada” ou até “chapa da morte”: muitos candidatos competitivos disputando poucas vagas. Entre eles, nomes como o próprio Botelho, deputados de mandato, suplentes estruturados e agora Jéssica Riva.
Nesse contexto, quem sente diretamente o impacto é Leonardo Bortolin. Ex-prefeito de Primavera do Leste, ex-presidente da AMM e considerado próximo politicamente de Janaína, Bortolin passa a enfrentar um cenário mais incerto. A eventual priorização da campanha de Jéssica pode significar perda de apoio estratégico que antes era considerado importante para sua viabilidade eleitoral.
Embora Bortolin afirme contar com o apoio de mais de 100 prefeitos, a demonstração recente de base política (com pouco mais de 100 vereadores), revela um quadro que, embora relevante, ainda precisa ser analisado com cautela. Em um estado com 142 municípios, essa densidade de apoio não garante, por si só, uma eleição confortável, especialmente dentro de uma chapa altamente competitiva.
No fim das contas, o chamado “efeito Riva” não apenas reorganiza o tabuleiro interno do MDB, mas também eleva o grau de incerteza entre os pré-candidatos. A disputa, que já seria difícil, passa a exigir ainda mais estratégia, capilaridade eleitoral e, sobretudo, capacidade de sobreviver a uma concorrência interna intensa por espaço e votos.
