O cenário político-eleitoral para muitos deputados começa a se desenhar como um dos mais emblemáticos na disputa por vagas na Assembleia Legislativa em 2026, refletindo diretamente nas dificuldades enfrentadas entre elas pelo deputado estadual Ondanir Bortolini, o Nininho, em seu projeto de reeleição.

Historicamente bem votado por exemplo em Primavera do Leste, onde sempre contou com apoio político relevante e boa capilaridade eleitoral, Nininho agora enfrenta um ambiente menos favorável. Apesar de continuar destinando recursos e mantendo presença institucional na cidade, esse movimento ainda não se traduziu em apoios efetivos e significativos para sustentar sua candidatura neste novo ciclo.

O principal fator de mudança no cenário local é o fortalecimento do grupo liderado pelo ex-prefeito e ex-presidente da AMM, Leonardo Bortolin. Com forte articulação política, Bortolin já conta com o compromisso de apoio de pelo menos 10 dos 15 vereadores do município, consolidando uma base robusta e reduzindo significativamente o espaço de atuação de outros pré-candidatos, incluindo Nininho.

Esse redesenho político em Primavera do Leste é parte de um contexto mais amplo que amplia o grau de dificuldade para os atuais deputados estaduais. No caso do Nininho, mesmo tendo sido reeleito em 2022 com expressivos 50.875 votos, a conjuntura atual aponta para uma campanha mais desafiadora. Entre os fatores que pesam está a diminuição de apoios em diversas outras regiões do estado.

Prefeitos que anteriormente integravam sua base passaram a declarar apoio a outros nomes competitivos, como Max Russi, Beto Dois a Um, Valmir Moretto e Carlos Avalone, além de novas lideranças com forte capital político, como os ex-secretários Alan Porto e Gilberto Figueiredo.

A dificuldade também se intensifica dentro do próprio partido. O Republicanos montou uma chapa considerada altamente competitiva, reunindo nomes de peso como Diego Guimarães, Dr. Eugênio, Paulo Araújo e Ari Lafin, além dos próprios Alan Porto e Gilberto Figueiredo. A disputa interna, nesse cenário, tende a ser acirrada, com projeção de três a quatro vagas possíveis, exigindo dos candidatos uma votação mínima próxima de 40 mil votos para garantir eleição.

Em cidades estratégicas, como Rondonópolis, os reflexos desse enfraquecimento já são visíveis, com a redução significativa do número de vereadores aliados. Em Primavera do Leste, o impacto é ainda mais simbólico: um reduto antes consolidado agora apresenta forte concorrência interna e reorganização de forças políticas.

Diante desse panorama, a eleição de 2026 se configura como um dos maiores desafios da trajetória política de Nininho. Para se manter competitivo, o deputado precisará reconstruir alianças, ampliar sua base e encontrar novas estratégias em um ambiente eleitoral marcado pela fragmentação de apoios e pelo fortalecimento de adversários, especialmente em municípios-chave como Primavera do Leste, onde o cenário já aponta para uma disputa intensa e decisiva.