A saúde pública em Primavera do Leste segue como um dos temas mais sensíveis e recorrentes no debate político local (e a população em si deve concordar que realmente há problemas os quais precisam ser resolvidos).
Porém, a cada sessão da Câmara Municipal, o roteiro se repete: vereadores sobem à tribuna, apontam falhas, relatam reclamações e cobram providências do Executivo. A insatisfação é legítima, afinal, saúde não pode esperar. Mas, diante de tantas cobranças, uma pergunta começa a ecoar com mais força: onde estão as soluções concretas propostas por estes mesmos ‘cobradores’?
Desde que assumiu a pasta, a secretária de Saúde, Laura Leandra, tem conduzido o trabalho dentro das possibilidades estruturais e orçamentárias do município. Não se trata de uma tarefa simples. Gerir a saúde pública exige equilibrar demanda crescente, recursos limitados e uma rede que precisa funcionar de forma integrada. E mesmo que a secretária tenha suas limitações, ainda assim, o que se vê é uma pressão constante, muitas vezes desacompanhada de propostas viáveis.
Fala-se, com frequência, na “construção de um Hospital Municipal”. A ideia, à primeira vista, parece resolver grande parte dos problemas. Mas pouco se discute sobre o custo milionário de implantação, os critérios técnicos exigidos e, principalmente, o desafio ainda maior: manter esse hospital funcionando com qualidade, profissionais e insumos de forma contínua. Construir é uma etapa; sustentar é outra, muito mais complexa.
Outro ponto recorrente é a proposta de uma segunda UPA. Novamente, a discussão esbarra em critérios técnicos e populacionais estabelecidos pelo próprio sistema de saúde. Não se trata apenas de vontade política, mas de viabilidade dentro das normas e do financiamento disponível. Ignorar isso é alimentar uma expectativa que dificilmente se concretiza.
Diante desse cenário, surge uma provocação necessária:
se os vereadores têm as respostas para os problemas da saúde, por que não colocá-las em prática?
E mais: se um deles fosse nomeado secretário de Saúde, conseguiria resolver o que hoje critica? É porque ao que parece sim, alguns deles têm vontade de ocupar a pasta. E não há nada de errado nisso, desde que o prefeito queira nomear, tudo certo.
A função do vereador é, sim, fiscalizar e cobrar. Isso é essencial para o equilíbrio democrático. Mas também é papel do Legislativo propor caminhos (e caminhos que sejam realistas, executáveis e sustentáveis). A crítica vazia, sem apontar alternativas concretas, pouco contribui para a melhoria do sistema.
Talvez esteja na hora de inverter a lógica do debate. Que o prefeito abra o diálogo de forma direta com os 15 vereadores e lance um desafio claro: quem (dentre os 15 vereadores) tem um plano viável para a saúde de Primavera do Leste?
Mais do que discursos em tribuna, é hora de apresentar propostas estruturadas, com previsão de custos, fontes de recurso e estratégias de execução. E, por que não, dar a oportunidade para que essas ideias sejam colocadas em prática? Se existe, de fato, uma solução dentro da Câmara, ela precisa sair do papel.
A saúde de Primavera do Leste não será resolvida com promessas fáceis ou projetos desconectados da realidade financeira do município. A solução passa por gestão eficiente, fortalecimento da atenção básica, organização da rede de atendimento e, sobretudo, responsabilidade nas propostas apresentadas à população.
O momento exige mais do que apontar problemas. Exige coragem para assumir responsabilidades. Porque, no fim das contas, a pergunta que permanece é simples, e incômoda: quem, de fato, está preparado para resolver a saúde de Primavera do Leste?
