A discussão sobre as várias mudanças no primeiro escalão da Prefeitura de Primavera do Leste – MT, ganhou contornos ainda mais ácidos durante a sessão ordinária da Câmara Municipal desta segunda-feira (15).
Isso porque, após o líder do prefeito, vereador Eraldo Fortes, questionar a saída de cerca de dez integrantes da equipe do prefeito Sérgio Macnhic em pouco mais de um ano e meio de mandato, a vereadora Gislaine Yamashita não apenas saiu em defesa do Executivo, mas acabou expondo os bastidores da pressão política que cerca a administração municipal.
Ao fazer uso da tribuna, Eraldo classificou como preocupante a sucessão de trocas entre secretários, procurador e consultores, levantando dúvidas sobre a estabilidade da gestão.
“Será que todos estavam errados? Será que todos eram incompetentes e incapazes de estarem ocupando essa pasta? Será que nenhum desses secretários correspondeu às expectativas do gestor?”, questionou.
Para o líder do prefeito, a elevada rotatividade compromete a continuidade das políticas públicas e exige uma reflexão mais profunda sobre a forma como a administração vem sendo conduzida.
Mas a resposta veio da própria base aliada, quando, dirigindo-se diretamente a Eraldo, Gislaine Yamashita rebateu o discurso e sustentou que atribuir exclusivamente ao prefeito a responsabilidade pelas mudanças é ignorar a realidade política enfrentada diariamente pelos gestores.
“Vereador Eraldo, nós temos que levar em consideração muitas coisas”, iniciou. Ao citar a saída da ex-secretária de Assistência Social, Tânia, a vereadora fez um apontamento que acaba jogando luz sobre os bastidores do Legislativo. “Não foi da vontade da secretária Tânia sair, mas muitos vereadores pediram para que ela saísse. Ela não aguentou a pressão”, afirmou.
A declaração tem peso político porque parte de uma integrante da própria base do governo e mostra de forma veemente que, em determinados momentos, secretários deixam seus cargos não necessariamente por incapacidade técnica ou decisão exclusiva do prefeito, mas também em razão das pressões vindas do meio político.
Nas entrelinhas, a fala de Gislaine aponta para uma prática recorrente nos bastidores: a cobrança pela substituição de auxiliares quando determinadas demandas deixam de ser atendidas ou quando a relação entre secretários e parlamentares se desgasta.
A própria vereadora lembrou que esse tipo de cobrança é frequente dentro do plenário.
“Porque é esse discurso que muitas vezes nós ouvimos aqui: ‘não está funcionando? Muda’. Ouvimos muitas vezes isso”, declarou.
A frase, embora dita em defesa do Executivo, evidencia uma espécie de autocrítica ao ambiente político, onde a pressão por resultados imediatos frequentemente se traduz em pedidos por mudanças no comando das secretarias.
Gislaine também chamou atenção para o fato de que os ocupantes desses cargos são pessoas submetidas a desgaste intenso. “Nós não podemos esquecer que são pessoas, seres humanos, que também sentem quando ficam tirando sarro em redes sociais”, disse.
Ela citou ainda casos de secretários que teriam deixado a administração por motivos pessoais ou profissionais. “Então nós não podemos colocar simplesmente toda a culpa no gestor”, reforçou.
Contudo, o debate escancarou um cenário desconfortável para a base governista. De um lado, o líder do prefeito questionando publicamente se a gestão está “no caminho certo” diante de tantas mudanças.
De outro, uma vereadora aliada reconhecendo que a própria classe política contribui para a instabilidade ao exigir substituições sempre que considera que um secretário “não está funcionando” ou deixa de atender expectativas e demandas.
