O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (8) a suspensão temporária da vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan após o registro de 42 eventos adversos graves, incluindo duas mortes e um caso que exigiu internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Segundo o governo federal, os três casos mais graves ocorreram entre profissionais da atenção primária à saúde que receberam a vacina em diferentes regiões do país. Apesar da investigação em andamento, as autoridades sanitárias afirmam que ainda não existem evidências suficientes para comprovar uma relação direta entre os óbitos e a aplicação do imunizante.
De acordo com o Ministério da Saúde, aproximadamente 500 mil doses da vacina foram aplicadas até o momento. Desse total, cerca de 417 mil foram destinadas a profissionais da atenção básica, como agentes comunitários de saúde, enfermeiros, médicos de família e integrantes das equipes da Estratégia Saúde da Família.
Durante coletiva de imprensa, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que a maior parte dos vacinados pertence justamente a esse grupo, considerado mais exposto ao vírus da dengue devido ao contato direto com a população.
Além da imunização dos profissionais de saúde, o governo realizou campanhas ampliadas de vacinação em municípios como Botucatu (SP), Nova Lima (MG), Maranguape (CE) e na região de Araguaína, no Tocantins. Nessas localidades, aproximadamente 83 mil doses foram aplicadas em pessoas com idade entre 15 e 59 anos.
As autoridades ressaltaram que os casos mais graves não foram registrados nas cidades que participaram da vacinação ampliada. Segundo o Ministério da Saúde, nenhuma das duas mortes investigadas ocorreu nesses municípios, tampouco houve registro de óbitos com relação temporal à vacinação nessas regiões.
Entre os episódios analisados está o de uma mulher de 39 anos que apresentou febre, dores musculares e náuseas seis dias após receber a vacina. Ela desenvolveu um quadro compatível com dengue grave, precisou ser internada em terapia intensiva, mas recebeu alta após recuperação.
Outro caso envolve uma mulher de 48 anos que apresentou sintomas de dengue grave associados a complicações neurológicas 19 dias após a imunização. Ela não resistiu e morreu.
O terceiro caso investigado refere-se a um homem de 58 anos que apresentou sintomas cinco dias após a vacinação e evoluiu rapidamente para um quadro grave, também resultando em óbito.
Todos os casos foram encaminhados para avaliação do Comitê Interinstitucional de Farmacovigilância de Vacinas e Outros Imunobiológicos (CIFAVI), responsável por monitorar possíveis eventos adversos relacionados à vacinação.
O Ministério da Saúde informou que a interrupção da campanha tem caráter preventivo e busca garantir maior segurança durante a análise dos registros. A investigação contará com a participação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Instituto Butantan, de especialistas independentes e das vigilâncias epidemiológicas estaduais e municipais.
As equipes técnicas irão avaliar fatores de risco comuns entre os pacientes, histórico clínico, armazenamento e aplicação das doses, além de outras hipóteses que possam explicar os casos.
Em nota, o Instituto Butantan informou que seguirá colaborando com as investigações e destacou que a suspensão temporária foi adotada por precaução. A instituição ressaltou ainda que estudos anteriores apontaram eficácia global de 79,6% contra a dengue e de 89% contra formas graves da doença.
Até a conclusão das análises, a vacinação permanece suspensa em todo o país.
