Os motoristas que utilizam a MT-130 entre Primavera do Leste e Paranatinga terão que se adaptar a uma nova forma de pagamento do pedágio. A partir de 10 de outubro de 2026, a rodovia passará a contar com o sistema Free Flow, que substitui as tradicionais praças de cobrança por seis pórticos eletrônicos distribuídos ao longo do trecho concedido.

A mudança merece atenção principalmente dos motoristas que não utilizam TAG. Diferentemente do sistema convencional, não haverá cancela ou cabine para indicar ao usuário que uma cobrança foi realizada. O veículo simplesmente passará pelo pórtico, terá a placa identificada e a tarifa ficará registrada para pagamento posterior.

No trecho de 140,6 quilômetros entre o entroncamento com a BR-070, em Primavera do Leste, e o entroncamento com a MT-020, em Paranatinga, cinco pórticos terão tarifa de R$ 3,85 e um terá cobrança de R$ 2,55.

Para quem percorrer todo o trecho concedido, a soma chegará a R$ 21,80, mesmo valor atualmente cobrado nas duas praças convencionais, que têm tarifa de R$ 10,90 cada.

A diferença, segundo a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT), é que o novo modelo permitirá que o usuário seja cobrado conforme o trecho efetivamente percorrido.

Motorista sem TAG terá 30 dias para pagar

Quem não possuir TAG poderá trafegar normalmente pela MT-130. A identificação será feita pela leitura da placa do veículo.

Depois da passagem, o motorista deverá acessar os canais disponibilizados pela concessionária responsável pela rodovia para consultar a cobrança e efetuar o pagamento.

Estão previstas opções como PIX, cartões de crédito e débito, totens de autoatendimento e pontos físicos autorizados.

O prazo será de 30 dias, contados a partir do dia seguinte à passagem pelo pórtico.

E é justamente nesse ponto que os motoristas precisarão redobrar a atenção. Como não haverá parada obrigatória ou cobrança imediata, quem não estiver acostumado com o sistema poderá acabar esquecendo de verificar se possui valores pendentes.

Falta de pagamento pode resultar em multa

Caso o motorista não quite a tarifa dentro do prazo, poderá ser lavrado auto de infração por evasão de pedágio, conforme o artigo 209-A do Código de Trânsito Brasileiro.

Além da penalidade de trânsito, o débito continuará sendo cobrado pela concessionária, com multa moratória de 2% e juros de 1% ao mês até a regularização.

Por isso, a orientação para quem utiliza a MT-130 é acompanhar as passagens registradas e manter atenção aos prazos de pagamento.

Cobrança muda, mas expectativa é por melhorias na rodovia

A implantação do Free Flow ocorre em meio a uma expectativa antiga dos usuários da MT-130 em relação às melhorias estruturais previstas para o trecho concedido.

A autorização para o início do novo sistema foi dada após análises da Sinfra-MT, Ager-MT e Procuradoria-Geral do Estado, além de uma vistoria realizada em julho por verificador independente.

Segundo as informações divulgadas pelo Estado, a vistoria considerou atendidas as intervenções previstas no cronograma de recuperação da rodovia.

Na prática, entretanto, a situação da MT-130 continua sendo acompanhada de perto pelos motoristas, especialmente em relação às melhorias e serviços que ainda são esperados ao longo do trecho.

A cobrança do pedágio representa uma fonte permanente de receita para a manutenção e operação da concessão, e a expectativa dos usuários é que os investimentos previstos sejam efetivamente concluídos e percebidos por quem utiliza a rodovia diariamente.

Ou seja, para o motorista, não basta apenas mudar a forma de cobrança. A expectativa é de que o novo modelo também seja acompanhado de uma rodovia em melhores condições, com recuperação do pavimento, sinalização adequada, segurança e demais melhorias previstas na concessão.

Sistema será testado durante 12 meses

O Free Flow começará a funcionar em caráter experimental, dentro de um chamado sandbox regulatório.

O período de testes terá duração inicial de 12 meses, a partir de 10 de outubro, podendo ser prorrogado uma vez pelo mesmo período mediante justificativa técnica.

Durante esse período, a Ager-MT deverá acompanhar o funcionamento dos equipamentos, a precisão da leitura das placas, os índices de inadimplência, a utilização de TAGs, a arrecadação e a aceitação dos usuários.

Também será avaliado se a distribuição da cobrança entre os seis pórticos funciona de maneira adequada.

Ager poderá fiscalizar o sistema

A agência reguladora terá acesso em tempo real aos dados do sistema, incluindo registros das passagens, imagens captadas pelas câmeras e informações financeiras e operacionais.

Os motoristas também poderão consultar as passagens registradas e eventuais débitos pelos canais disponibilizados pela concessionária.

Em caso de cobrança considerada indevida, o primeiro contato deverá ser feito diretamente com a empresa responsável pela administração da rodovia. Se o problema não for solucionado, o usuário poderá recorrer à Ouvidoria da Ager-MT.

Atenção redobrada a partir de outubro

Com o fim das praças tradicionais, o motorista não precisará parar para pagar o pedágio. Mas isso também significa que será necessário assumir uma postura mais ativa para acompanhar as cobranças.

Quem não utiliza TAG deverá consultar regularmente os registros de passagem e não deixar o prazo de 30 dias passar.

E, enquanto o novo sistema começa a ser implantado, permanece uma questão central para quem percorre a MT-130: a cobrança do pedágio precisa vir acompanhada da efetiva entrega das melhorias esperadas para a rodovia.

A partir de outubro, portanto, os usuários terão uma nova rotina para pagar pelo serviço. A expectativa é que, junto com ela, também possam perceber uma MT-130 cada vez mais segura, recuperada e adequada ao intenso movimento de veículos que utiliza a ligação entre Primavera do Leste e Paranatinga.