A Polícia Civil esclareceu parte da dinâmica do assassinato da jovem Lavínia Gabriele, ocorrido em Poxoréu. As informações foram apresentadas na manhã desta quinta-feira (13), durante coletiva de imprensa conduzida pelo delegado Dr. Honório Neto, da Delegacia de Homicídios de Primavera do Leste.

Após aproximadamente três meses de investigação, a polícia identificou uma liderança de facção, atualmente presa na Penitenciária da Mata Grande, em Rondonópolis, como responsável por determinar a execução.

Segundo o delegado, Lavínia estaria repassando informações às autoridades sobre integrantes da organização criminosa. A investigação aponta que, por esse motivo, a jovem teria sido submetida a um chamado “tribunal do crime” e sua morte teria sido determinada para intimidar outras pessoas que eventualmente colaborassem com a polícia.

Ex-vereador teria atuado como intermediário

Entre os investigados está um vereador de Poxoréu, Túlio Soares, que já havia sido preso temporariamente durante as investigações e voltou a ser preso nesta semana.

De acordo com a Polícia Civil, o ex-vereador teria conhecimento prévio da execução e prestado auxílio material à organização criminosa. A investigação aponta que ele teria recebido ordens para buscar o executor, que estava escondido após chegar de fora do município, e levá-lo para fora de Poxoréu depois do assassinato.

A ligação do ex-vereador com o crime teria sido comprovada por meio de análises técnicas de celulares e mensagens.

“Ficou bem claro através de prova técnica que ele tinha pleno conhecimento, aderiu à conduta e se colocou à disposição”, afirmou o delegado Honório.

A polícia também identificou conversas entre o investigado e a liderança criminosa presa, além de diálogos em que versões sobre o crime teriam sido combinadas.

Vítima foi monitorada antes da execução

Segundo a investigação, Lavínia era monitorada antes de ser assassinada. Quando retornou ao estabelecimento comercial onde ocorreu o crime, as informações teriam sido repassadas ao executor.

O homem foi até o local e efetuou cinco disparos, sendo que quatro atingiram a vítima.

A Polícia Civil ainda trabalha para identificar e prender o autor dos disparos. Para isso, um novo inquérito foi instaurado, com o objetivo de localizar o executor e apurar a participação de outras pessoas.

Polícia confirma que vítima repassava informações

Durante a coletiva, o delegado confirmou que a investigação encontrou elementos que comprovam que Lavínia realmente repassava informações às autoridades.

A conclusão ocorreu principalmente a partir da análise do celular da vítima e de outros aparelhos apreendidos durante as investigações.

Segundo Honório, a jovem tinha proximidade com pessoas ligadas ao Comando Vermelho e também possuía relação indireta com a Polícia Militar por meio da mãe, que presta serviço na instituição.

Pelo menos quatro envolvidos já foram identificados

Até o momento, a polícia confirmou a participação de pelo menos quatro pessoas na dinâmica investigada: a liderança criminosa que teria ordenado a execução, o ex-vereador apontado como intermediário, uma adolescente e o executor dos disparos.

Segundo a investigação, a adolescente sabia que Lavínia seria morta. Por ser menor de idade, sua situação será apurada em procedimento separado, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente.

A polícia, porém, não descarta a participação de outras pessoas.

Investigados foram indiciados

Com a conclusão de parte do inquérito, a Polícia Civil indiciou a liderança criminosa e o ex-vereador por homicídio duplamente qualificado e organização criminosa majorada.

O delegado explicou que entre os elementos considerados estão o motivo do crime e a impossibilidade de defesa da vítima, além de circunstâncias relacionadas à organização criminosa, como emprego de arma de fogo e participação de adolescente.

Os dois investigados foram interrogados e negaram participação no crime. Segundo a Polícia Civil, entretanto, os depoimentos não foram suficientes para afastar as provas técnicas reunidas durante a investigação.