Circula nas redes sociais um vídeo em que prefeitos de diferentes regiões de Mato Grosso aparecem declarando apoio à candidatura de Otaviano Pivetta. Entre eles está o prefeito Alexandre Lopes, de Campo Verde, que aparece na gravação dizendo: “Em Campo Verde, somos Pivetta 10”.

A divulgação busca transmitir a ideia de uma ampla mobilização de prefeitos em torno de Pivetta. Mas, quando se trata de eleição, é preciso separar apoio político de transferência de votos.

Pesquisas e estudos sobre comportamento eleitoral mostram que o eleitor não necessariamente acompanha a indicação de uma liderança política.

Um estudo realizado pela UFMG, por exemplo, apontou que 64,2% dos entrevistados disseram que não votariam em um candidato a vereador apoiado pelo prefeito, enquanto apenas 20,6% afirmaram que votariam.

O comportamento também aparece em pesquisas eleitorais mais recentes. Levantamento do Datafolha realizado em São Paulo, em 2024, ano de eleição para prefeitos, mostrou que 65% dos eleitores afirmaram que não votariam de jeito nenhum em um candidato apoiado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

A pesquisa realizada pelo instituto Percent entre 07 e 10 de agosto de 2026 confirma essa tendência em Mato Grosso. Cerca de 54% dos eleitores dizem que o apoio do prefeito de Cuiabá Abilio Brunini não aumenta ou diminui a vontade de votar em um candidato apoiado por ele. Sobre o prefeito de Rondonópolis, a indiferença chega a 62%. Outro ponto que chama a atenção é que ambos foram eleitos pelo PL e sem o apoio do então governador Mauro Mendes que à época gozava de índices de aprovação que giravam na casa dos 70%.

Em Cuiabá, Mauro Mendes apoiou Eduardo Botelho para a Prefeitura. Apesar da estrutura política e de Botelho ter aparecido na liderança de levantamentos durante a campanha, o candidato terminou o primeiro turno em terceiro lugar, com 27,77% dos votos, atrás de Abilio Brunini, com 39,61%, e Lúdio Cabral, com 28,31%. Abilio acabou eleito no segundo turno, com 53,80% dos votos.

Em Várzea Grande, Kalil Baracat buscava a reeleição com ampla base de apoio político e chegou a liderar pesquisas e, mesmo assim, foi derrotado por Flávia Moretti, que venceu a eleição com 50,54% dos votos válidos, contra 44,84% de Kalil.

Ou seja: se o apoio político fosse automaticamente convertido em votos, resultados como esses seriam mais difíceis de explicar. Por isso, transformar apoios políticos em uma demonstração antecipada de vitória pode revelar mais sobre a necessidade de apresentar força do que sobre a real disposição do eleitorado.

E é justamente aí que a estratégia de Pivetta é colocada em xeque.
Ao anunciar uma sequência de apoios de prefeitos e transformá-los em demonstração pública de força, Pivetta aposta na tese de que a quantidade de lideranças políticas ao seu lado poderá se converter em vantagem eleitoral.

A eleição de 2024 em Mato Grosso diz o contrário das estratégias elaboradas no ar condicionado dos gabinetes de campanha. mostrou que nem mesmo uma ampla estrutura política é garantia de vitória nas principais cidades.

Se a história recente servir de referência, quanto maior a expectativa criada em torno dos apoios, maior também será a cobrança sobre a capacidade dessa estrutura de produzir votos.

Será que o fato de pessoas importantes do grupo de Pivetta estarem sendo investigadas em diversas suspeitas de crimes graves, pesa menos do que o apoio de prefeitos, alguns mal avaliados e com questionamentos da população sobre as suas capacidades de administrar cidades? Será que isso ajuda a explicar a dificuldade de Pivetta em crescer na ampla maioria da pesquisa apesar de tantos apoios institucionais?

Esta reportagem entrou em contato com o candidato Wellington Fagundes para saber sua opinião. Ele afirmou que “a eleição deve ser discutida a partir das necessidades da população e das propostas para Mato Grosso, e não apenas da quantidade de prefeitos que aparece em vídeos ou fotografias”.

Fagundes disse ainda que “mais importante do que contar quantos prefeitos dizem ‘somos Pivetta 10’ será saber quantos eleitores estarão dispostos a apertar o número 10 na urna”.

É… pelo jeito, a principal pedra no sapato de Otaviano acredita mesmo na tese das pesquisas: de que prefeito não transfere voto. Wellington tem confiado na ideia de que “quem decide é o eleitor”.

O negócio é esperar para ver!