A FASIPE promoveu nesta segunda-feira (28), em Primavera do Leste, uma palestra em alusão ao Setembro Amarelo, levando aos acadêmicos uma discussão sobre saúde mental, sofrimento psíquico e prevenção do suicídio. O encontro foi realizado no auditório da Aciple e teve como palestrante o médico psiquiatra Paulo Henrique, profissional que atende no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) do município.
Com experiência no atendimento de pessoas em sofrimento psíquico, o médico chamou a atenção dos estudantes para a necessidade de tratar a saúde mental como uma questão permanente, e não apenas como um assunto relacionado ao mês de setembro.
Segundo Paulo Henrique, o Setembro Amarelo deve ser encarado como uma oportunidade para ampliar o debate e fazer com que a sociedade continue falando sobre saúde mental durante todo o ano.
“Não foquem no nome ou no mês. Foquem no que importa hoje”, destacou o psiquiatra durante a palestra.
Um dos principais pontos apresentados pelo médico foi a necessidade de compreender o sofrimento que pode estar por trás de pensamentos suicidas.
Durante a palestra, Paulo Henrique afirmou que, em muitos casos, a pessoa não está necessariamente buscando a morte, mas tentando interromper uma situação de sofrimento que considera insuportável. “Quem pensa em suicídio quer acabar com a dor, não com a vida.”
O psiquiatra explicou que essa dor pode ser física ou psíquica e que o sofrimento emocional pode estar presente em diferentes condições e situações, não sendo exclusivo de um único transtorno mental.
A partir desse contexto, o médico chamou atenção para a importância de não minimizar manifestações de sofrimento ou tratar o assunto como algo simples.
Outro momento de destaque da palestra foi a abordagem de alguns dos principais mitos relacionados ao suicídio.
Entre eles está a ideia de que “quem quer se matar não avisa”. Paulo Henrique contestou diretamente essa afirmação e explicou que manifestações de sofrimento podem aparecer de diferentes maneiras, por meio de falas, mensagens, mudanças de comportamento ou outras formas de comunicação. “Quem quer se matar, não avisa. Avisa sim. E de diversas formas”.
O médico também destacou que perguntar diretamente a uma pessoa se ela está pensando em tirar a própria vida não significa induzi-la ao suicídio.
Para ele, quando alguém percebe que outra pessoa não está bem e pergunta sobre o que ela está vivendo, a atitude pode transmitir uma mensagem importante: a de que existe alguém disposto a ouvir. “Eu estou vendo que você não está bem. Você está pensando em se matar?”
Segundo o psiquiatra, o objetivo da abordagem não é acreditar que uma simples conversa resolverá todos os problemas, mas criar uma oportunidade para que a pessoa seja ouvida e encaminhada para ajuda. “Falar e ouvir salva vidas. Não salva todas as vidas, mas salva vidas”.
A escolha do ambiente universitário para a realização da palestra também foi destacada durante o encontro. Paulo Henrique chamou atenção para a vulnerabilidade dos jovens e para a importância de levar discussões sobre saúde mental para escolas e universidades.
A proposta da atividade foi justamente criar um espaço de informação e reflexão entre os acadêmicos, permitindo que o tema fosse tratado de maneira aberta, sem julgamentos e sem a reprodução de estigmas.
A mensagem central apresentada foi de que questões relacionadas à saúde mental não devem ser reduzidas a uma única explicação e que o acolhimento, a escuta e o acesso aos serviços de saúde são fundamentais.
A palestra também apresentou o Centro de Valorização da Vida (CVV) como uma das possibilidades de apoio para pessoas que precisam conversar e ser ouvidas.
A programação do Setembro Amarelo da FASIPE continua nesta terça-feira (29), às 19h, com uma ação extensionista na Avenida dos Lagos, em Primavera do Leste.
A iniciativa reforça a importância de manter o debate sobre saúde mental para além do mês de setembro, estimulando a informação, a escuta e a busca por ajuda diante de situações de sofrimento.
