A Câmara Municipal de Primavera do Leste arquivou, durante a sessão ordinária desta segunda-feira (11), o requerimento que pedia a cassação do mandato do vereador Sargento Telles. Após apresentar sua defesa na tribuna, o parlamentar teve o pedido rejeitado por unanimidade entre os vereadores aptos à votação.
Dos 15 vereadores que compõem a Câmara Municipal, 12 participaram da votação. O presidente da Casa não votou, conforme prevê o regimento interno em casos sem necessidade de desempate, enquanto o próprio vereador denunciado, Sargento Telles, também não poderia participar da votação por ser parte diretamente envolvida no processo. Já a vereadora Mariana Carvalho não participou da sessão por estar afastada mediante atestado médico.
O requerimento questionava a atuação do vereador em um episódio relacionado à região do Vale Verde, além de apontar suposta irregularidade envolvendo residência fora do município. Durante sua manifestação, Sargento Teles classificou a denúncia como perseguição política e afirmou que não houve quebra de decoro parlamentar.
“As manifestações políticas, ainda que duras e contundentes, quando relacionadas à fiscalização, cobrança pública e debate político, são amparadas pela imunidade parlamentar”, afirmou o vereador.
Na defesa, o parlamentar sustentou que sua atuação no Vale Verde ocorreu diante da indignação popular pelas más condições das estradas da região e ressaltou que não houve benefício pessoal, prática de corrupção ou qualquer prejuízo à imagem da Câmara Municipal.
Sargento Telles também rebateu as alegações sobre suposta residência fora de Primavera do Leste. Segundo ele, toda sua atuação política, profissional e social permanece ligada ao município. “Minha atuação política é aqui em Primavera. Minha vida pública é aqui em Primavera”, declarou.
Durante o discurso, o vereador ainda citou entendimento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre domicílio eleitoral, destacando que os vínculos políticos, sociais e afetivos são considerados na análise.
Outro ponto levantado pelo parlamentar foi em relação ao autor da denúncia. Sem citar diretamente o nome do ex-vereador, Sargento Telles afirmou que o denunciante já teve o mandato cassado anteriormente e os direitos políticos suspensos em decorrência de condenações relacionadas à disseminação de fake news.
“O requerente perdeu seu mandato pela condenação por fake news. Recentemente foi condenado por me acusar falsamente por crimes e agora vem querer usar este parlamento para se vingar”, declarou.
Ao final do pronunciamento, o vereador pediu que os parlamentares votassem conforme suas convicções e reafirmou que seguirá exercendo o mandato normalmente.
