O Tribunal do Júri de Paranatinga (120 km de Primavera do Leste – MT), condenou um homem acusado de matar Bento Ribeiro Duarte em um crime ocorrido há quase 35 anos na zona rural do município. O réu, Antônio Aparecido Alves, recebeu pena de 14 anos de prisão em regime fechado após os jurados reconhecerem a autoria do homicídio e as qualificadoras apresentadas pelo Ministério Público.

O caso remonta ao dia 14 de junho de 1991, quando Bento foi morto a tiros na Fazenda Canaxuê. Conforme consta na denúncia, o crime aconteceu após um conflito doméstico envolvendo o acusado e sua esposa. Na noite anterior ao homicídio, a mulher havia procurado abrigo na residência da vítima depois de uma discussão conjugal.

As investigações apontaram que Bento Ribeiro Duarte não tinha participação direta na desavença. Pelo contrário, testemunhas relataram que ele acolheu a mulher e tentou aconselhar o casal, atitude que teria provocado a irritação do acusado.

No julgamento, realizado mais de três décadas após o crime, o Conselho de Sentença acolheu a tese do Ministério Público e reconheceu que o assassinato foi praticado por motivo fútil e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. Os jurados entenderam que o réu agiu motivado por ciúmes e surpreendeu Bento com disparos de arma de fogo, impedindo qualquer possibilidade de reação.

A acusação foi conduzida pela promotora de Justiça Fernanda Luiza Mendonça Siscar Pacheco, que defendeu a condenação nos termos da denúncia apresentada pelo Ministério Público.

Ao fixar a pena, o juiz Tiago Gonçalves dos Santos destacou a gravidade do crime e os prejuízos causados aos familiares da vítima, especialmente em razão do desamparo enfrentado após a morte de Bento.

Embora tenha sido condenado a 14 anos de reclusão, Antônio Aparecido Alves, atualmente com 66 anos, poderá aguardar em liberdade o julgamento dos recursos. O Ministério Público informou que recorrerá dessa parte da decisão, buscando a execução imediata da pena imposta pelo Tribunal do Júri.

A condenação representa um desfecho judicial para um dos processos mais antigos da comarca, encerrando uma tramitação que atravessou mais de três décadas até o julgamento definitivo pelo júri popular.