O pré-candidato a deputado estadual pelo PSD, Everaldo Cabral, reacendeu uma discussão antiga, mas cada vez mais atual em Primavera do Leste: a incapacidade do município de transformar sua força eleitoral em representação política efetiva na Assembleia Legislativa de Mato Grosso.

Em manifestação divulgada nesta semana, Cabral lembrou que, nas eleições de 2022, nada menos que 42 candidatos a deputado estadual receberam votos no município. Para ele, o número revela uma realidade preocupante: Primavera continua sendo um dos maiores celeiros eleitorais do estado, mas raramente colhe os frutos dessa contribuição nas decisões políticas.

“Você sabia que em 2022, 42 candidatos tiveram votos aqui em Primavera? E desses que foram eleitos, quem de fato fez algo pela nossa cidade?”, questionou.

Segundo o pré-candidato, a população precisa deixar de avaliar apenas a chegada de emendas parlamentares e passar a cobrar ações estruturantes e projetos capazes de gerar desenvolvimento permanente.

“Não estou falando simplesmente de enviar emendas. Estou falando de projetos. Qual desses deputados realmente trouxe um projeto para Primavera do Leste?”, destacou.

Para Cabral, chegou o momento de a população refletir sobre esse modelo. “Não podemos mais ficar alicerçados em política de discurso ou apenas de voto. É preciso pensar no que realmente está sendo construído para Primavera do Leste”, afirmou.

PARCERIA DOS VEREADORES

OPINIÃO DO EDITOR – Mas a discussão não se limita aos parlamentares que aparecem em época de eleição. Existe uma responsabilidade local que dificilmente entra no debate público: a atuação de vereadores e lideranças políticas que, eleição após eleição, transformam seus mandatos em escritórios eleitorais de candidatos de outras cidades.

Se hoje dezenas de candidatos de fora desembarcam em Primavera do Leste para pedir votos, é porque encontram portas abertas dentro da própria política municipal. Encontram vereadores dispostos a mobilizar suas bases, pedir votos e defender interesses eleitorais que pouco ou nada têm relação com os interesses permanentes da população primaverense.

A conta dessa prática é conhecida. Os vereadores fortalecem seus acordos políticos, os candidatos de fora aumentam suas votações e conquistam mandatos, mas Primavera do Leste continua sem voz proporcional ao seu tamanho dentro da Assembleia Legislativa.

O mais grave é que muitos desses apoios são vendidos à população como grandes conquistas políticas. Na prática, porém, o resultado tem sido o mesmo há anos: votos saem de Primavera em caminhões, enquanto os benefícios retornam em pequenas parcelas, muitas vezes limitados a emendas pontuais que qualquer deputado tem a obrigação de destinar aos municípios.

Enquanto isso, projetos estruturantes, investimentos estratégicos e a defesa permanente das pautas locais continuam sendo uma lacuna histórica. O comportamento de parte da classe política local também levanta um questionamento inevitável: a quem esses vereadores realmente representam? À população que os elegeu ou aos grupos políticos externos que passam a receber seu apoio durante o período eleitoral?

A crítica não é contra a democracia nem contra a presença de candidatos de outras regiões. O problema está na ausência de compromisso de determinadas lideranças locais com a construção de um projeto político capaz de fortalecer Primavera do Leste a longo prazo.