A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou nesta terça-feira (23) a Operação Gateiro, que investiga esquemas de desvio de energia elétrica, popularmente conhecidos como “gatos”, em estabelecimentos comerciais de Várzea Grande. Durante a ação, um empresário de 53 anos e a gestora de um centro de recuperação para dependentes químicos foram presos em flagrante após a constatação de fraudes nos medidores de energia.
A operação foi conduzida pela Delegacia Especializada de Estelionato de Várzea Grande (DEE-VG) e teve como foco inicial o cumprimento de um mandado de busca e apreensão contra um técnico eletricista de 54 anos, apontado pelas investigações como responsável pela instalação de esquemas clandestinos de desvio de energia em empresas da região.
O mandado foi cumprido em Cuiabá e resultou na apreensão do telefone celular do suspeito, material que será analisado pela Polícia Civil para auxiliar no aprofundamento das investigações e na identificação de outros possíveis envolvidos.
Desdobramento de operação anterior
Segundo a Polícia Civil, a Operação Gateiro é um desdobramento da Operação Curto-Circuito, realizada em 2025, que revelou um esquema de adulteração de medidores de energia em diversos estabelecimentos comerciais da região metropolitana.
Após a busca na residência do eletricista, equipes da Polícia Civil, Energisa e Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) realizaram fiscalizações em empresas dos setores de alimentação, distribuição de bebidas e entidades assistenciais.
Em um restaurante localizado no bairro Jardim Eldorado, os fiscais identificaram um medidor adulterado para reduzir artificialmente o consumo registrado. Diante da fraude constatada, o proprietário do estabelecimento recebeu voz de prisão em flagrante pelo crime de estelionato.
Já em um centro de recuperação para dependentes químicos, situado no bairro Capão do Pequi, a equipe encontrou outro sistema fraudulento instalado no medidor de energia. A gestora e tesoureira da entidade, de 44 anos, também foi presa em flagrante.
Reincidência preocupa investigadores
De acordo com a Polícia Civil, tanto o empresário quanto a gestora já possuem histórico de envolvimento em ocorrências relacionadas a fraudes no consumo de energia elétrica, o que reforça a suspeita de reincidência na prática criminosa.
O delegado Ruy Guilherme Peral, coordenador do Núcleo de Inteligência da DEE-VG, destacou que o combate aos responsáveis pela instalação dos esquemas clandestinos é fundamental para desmontar toda a cadeia criminosa.
“Identificar e responsabilizar aqueles que implementam as estruturas físicas das fraudes é essencial para desarticular completamente esses esquemas que causam prejuízos milionários às distribuidoras de energia e, consequentemente, à sociedade”, afirmou.
Prejuízo coletivo
Embora muitas vezes tratado como uma infração de menor gravidade, o furto de energia provoca impactos significativos no sistema elétrico, gera prejuízos financeiros para as concessionárias e pode contribuir para o aumento de custos que acabam sendo repassados aos consumidores regulares.
As investigações continuam e a Polícia Civil não descarta novas fases da operação. Outros estabelecimentos e possíveis participantes do esquema seguem sob monitoramento.
