ANÁLISE – A disputa por uma das 24 cadeiras da Assembleia Legislativa de Mato Grosso promete ser uma das mais acirradas dos últimos anos. Com a projeção de cerca de 1,9 milhão de eleitores comparecendo às urnas em outubro de 2026, o quociente eleitoral para deputado estadual deve alcançar aproximadamente 83 mil votos, elevando o nível de exigência para partidos, federações e candidatos.

Embora o número não represente a quantidade de votos que cada deputado precisa obter individualmente para se eleger, ele serve como referência para medir a força necessária das chapas. Na prática, a eleição proporcional faz com que o desempenho coletivo do partido ou federação seja tão importante quanto a votação pessoal do candidato.

A experiência recente mostra que alcançar uma cadeira na Assembleia não depende apenas de ser um dos mais votados. Em eleições anteriores, candidatos com votação expressiva ficaram de fora por falta de desempenho da legenda, enquanto outros conquistaram mandato com números mais modestos graças à força da chapa.

Para analistas políticos, o cenário de 2026 aponta para uma elevação do chamado “custo político” da eleição. Com federações mais estruturadas, crescimento do eleitorado e a entrada de novos concorrentes de peso, a tendência é que a disputa se torne ainda mais competitiva.

Na avaliação de observadores do processo eleitoral, deputados que conseguirem atingir entre 40 mil e 50 mil votos próprios devem chegar à reta final da campanha em situação confortável. Já aqueles que ficarem na faixa entre 30 mil e 40 mil votos dependerão diretamente da performance coletiva de seus partidos.

O alerta é ainda maior para parlamentares que tradicionalmente trabalham com bases eleitorais menores. Nomes que não ultrapassarem a marca dos 25 mil votos poderão enfrentar dificuldades significativas para renovar seus mandatos, especialmente se estiverem inseridos em chapas sem candidatos com grande capacidade de transferência de votos.

Reeleição não será tarefa simples

A tendência é que muitos dos atuais deputados estaduais enfrentem um ambiente mais desafiador do que o observado em 2022. Além do aumento da concorrência, lideranças municipais, ex-prefeitos, empresários, representantes do agronegócio e influenciadores políticos devem ampliar a disputa por espaço nas chapas.

Outro fator que deve pesar é a redução gradual do espaço para candidaturas meramente simbólicas. As federações e partidos passaram a buscar candidatos com densidade eleitoral comprovada, capazes de contribuir efetivamente para o alcance do quociente eleitoral.

Nos bastidores, dirigentes partidários já trabalham com a meta de formar chapas capazes de superar 160 mil votos para garantir pelo menos duas cadeiras na Assembleia. Para conquistar três vagas, o desafio sobe para algo próximo de 250 mil votos, exigindo um conjunto de candidaturas competitivas e bem distribuídas regionalmente.

O peso da estratégia partidária

Mais do que nunca, a eleição de 2026 deverá confirmar uma máxima da política brasileira: nem sempre vence quem recebe mais votos individualmente, mas quem está inserido na estratégia partidária mais eficiente.

Por isso, a definição das federações, alianças e composições internas deverá ser tão importante quanto o desempenho dos candidatos nas ruas. Para muitos deputados estaduais, a sobrevivência política passará não apenas pela capacidade de conquistar votos, mas também pela escolha correta do partido ou federação onde disputarão a eleição.