O julgamento do caseiro Alex Roberto de Queiroz Silva, acusado de executar o advogado Renato Gomes Nery, já tem data marcada. A sessão do Tribunal do Júri foi agendada pelo juiz Marcos Faleiros da Silva, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, para o dia 15 de julho, às 9h.

Preso desde março de 2025, Alex confessou ter participado do assassinato e será o primeiro dos denunciados a sentar no banco dos réus pelo homicídio que chocou Mato Grosso. O advogado Renato Nery foi baleado em frente ao seu escritório, em Cuiabá, no dia 5 de julho de 2024, e morreu horas depois em decorrência dos ferimentos.

Embora o executor seja o primeiro a ser julgado, as investigações apontam que o crime teria sido encomendado por um casal de empresários de Primavera do Leste. Segundo denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), Julinere Goulart Bentos e Cesar Jorge Sechi são acusados de serem os mandantes da execução.

De acordo com a denúncia, o casal teria contratado o assassinato pelo valor de R$ 200 mil, motivado por um conflito envolvendo uma disputa judicial por mais de 12 mil hectares de terras no município de Novo São Joaquim. A acusação sustenta que os empresários agiram por inconformismo com o andamento da ação judicial.

Ainda conforme o Ministério Público, Jackson Pereira Barbosa e Ícaro Nathan Santos Ferreira teriam atuado como intermediários da execução, sendo responsáveis por articular o contato entre mandantes e executores, além de providenciar a arma utilizada no crime e intermediar os pagamentos.

Alex Roberto, por sua vez, teria executado o advogado utilizando a arma que, segundo as investigações, foi fornecida pelo então sargento da Polícia Militar Heron Teixeira Pena Vieira, também denunciado no processo.

Todos os acusados responderão por homicídio qualificado, com agravantes relacionadas ao motivo torpe, pagamento pela execução, recurso que dificultou a defesa da vítima e pelo fato de Renato Nery ter 72 anos na época do crime.

A decisão que marcou o julgamento também autorizou a oitiva de cinco testemunhas indicadas tanto pelo Ministério Público quanto pela defesa. Entre elas está Renata Moreira Gomes Nery, filha do advogado assassinado.

As investigações ainda revelaram o suposto envolvimento de outros policiais militares, acusados de forjar um confronto que resultou na morte de Walteir Lima Cabral e na tentativa de homicídio de outra pessoa. Conforme a denúncia, a ação teria como objetivo desviar o foco das investigações e dificultar a identificação dos responsáveis pelo assassinato de Renato Nery.

Enquanto o executor já tem data para enfrentar o Tribunal do Júri, os demais acusados, incluindo o casal de empresários apontado como mandante do crime, ainda aguardam a definição das datas de seus julgamentos.