A Polícia Civil de Mato Grosso afirmou que o assassinato da jovem Lavignia Coutinho, morta a tiros dentro de uma casa noturna em Poxoréu no dia 10 de maio, apresenta características de uma execução cuidadosamente planejada. A declaração foi feita pelo delegado Honório Gonçalves dos Anjos Neto durante entrevista coletiva nesta terça-feira, 14, quando foram cumpridos mandados da Operação Elo Oculto.
A operação resultou no cumprimento de oito ordens judiciais, entre elas a prisão temporária do vereador de Poxoréu Túlio César, além de mandados de busca e apreensão em Poxoréu, Primavera do Leste e Canarana.
Segundo o delegado, a forma como o crime foi praticado reforça a hipótese de uma execução. Lavignia foi atingida por pelo menos cinco disparos de arma de fogo, concentrados em regiões vitais, como rosto e tórax. A investigação aponta ainda que parte dos tiros foi efetuada quando a vítima já caía ao chão.
“Foi um homicídio muito bem planejado e executado. A forma como os disparos foram realizados demonstra claramente que não se tratou de um crime ocasional”, afirmou Honório.
Suspeita é de motivação ligada a facção criminosa
A principal linha de investigação aponta que o assassinato pode ter sido motivado por suspeitas de integrantes de uma organização criminosa de que a jovem estaria repassando informações às forças de segurança.
De acordo com a Polícia Civil, a mãe da vítima trabalhava no batalhão da Polícia Militar em Poxoréu, circunstância que pode ter alimentado a desconfiança dos criminosos.
Para o delegado, a dinâmica do homicídio segue um padrão frequentemente utilizado por facções criminosas para impor medo e intimidar outras pessoas.
“A maneira como o crime foi cometido demonstra um padrão utilizado por organizações criminosas para intimidar outras pessoas e impor medo”, destacou.
Vereador é alvo da investigação
Questionado sobre a participação do vereador Túlio César, preso temporariamente durante a operação, o delegado evitou antecipar conclusões e afirmou que as buscas têm justamente o objetivo de reunir provas que esclareçam o papel de cada investigado.
A Polícia Civil apreendeu aparelhos eletrônicos, documentos e outros materiais que serão submetidos à perícia.
“A finalidade da busca e apreensão é justamente coletar informações que estão em poder dos investigados para que possamos definir a participação de cada um na empreitada criminosa”, explicou.
Segundo a investigação, ainda não é possível apontar qual teria sido a atuação específica de cada envolvido.
Crime teria sido cuidadosamente coordenado
Outro elemento que reforça a tese de execução é que o atirador aparentava saber exatamente onde Lavignia estava dentro da casa noturna.
A perícia apontou que os disparos foram realizados a uma distância de aproximadamente 20 a 30 centímetros, indicando que o executor foi diretamente ao encontro da vítima logo após entrar no estabelecimento.
Para o delegado, há indícios de que outras pessoas participaram do planejamento da ação. “Nós estamos verificando exatamente quem participou para que a vítima estivesse naquele local naquele momento. Tudo indica que houve um conjunto de pessoas atuando para viabilizar essa execução”, afirmou.
Operação entra em nova fase
A Operação Elo Oculto representa mais uma etapa das investigações iniciadas logo após o homicídio. Cerca de um mês e meio atrás, a Polícia Civil já havia cumprido mandados de busca e apreensão em Poxoréu, ocasião em que foram reunidos elementos que fundamentaram a nova fase da operação.
Nesta terça-feira foram cumpridos:
quatro mandados de busca e apreensão em Poxoréu;
dois mandados de busca em Primavera do Leste;
um mandado de busca em Canarana;
um mandado de prisão temporária em Poxoréu.
A prisão temporária tem prazo de 30 dias, período em que a Polícia Civil pretende concluir as diligências, analisar o material apreendido e finalizar o inquérito.
O vereador Túlio César passará por audiência de custódia, quando o Poder Judiciário decidirá sobre a manutenção da prisão. Caso a medida seja mantida, ele será encaminhado para a Penitenciária Mata Grande, em Rondonópolis, onde permanecerá à disposição da Justiça.
A Polícia Civil também apura se, além do homicídio qualificado, os investigados responderão por participação em organização criminosa.
