O vereador Eraldo Fortes anunciou, durante a sessão ordinária desta segunda-feira, 03, a renúncia ao cargo de líder do governo do prefeito Sérgio Machnic na Câmara Municipal de Primavera do Leste. O comunicado foi feito durante um pronunciamento na tribuna, em um discurso marcado por críticas à falta de diálogo entre os Poderes.
Ao justificar a decisão, Eraldo afirmou que aceitou a liderança acreditando que poderia atuar como uma ponte entre os dois poderes, mas disse que essa missão deixou de existir diante da ausência de interlocução e do enfraquecimento do respeito institucional.
“Assumi essa missão acreditando que poderia ser ponte entre os dois poderes igualmente legítimos, o Executivo e o Legislativo. Nenhum governo governa sozinho. Nenhum Parlamento pode ser tratado como mera formalidade. Nenhuma democracia se fortalece quando a voz dos seus representantes deixa de ser ouvida”, declarou.
Segundo o vereador, nos últimos meses a comunicação tornou-se escassa, deixando os parlamentares sem participação efetiva nas decisões que chegam ao Legislativo.
“O respeito institucional perdeu espaço. O Legislativo deixou de ser tratado como parceiro na construção das políticas públicas para ocupar, muitas vezes, uma posição secundária nas decisões que impactam diretamente a vida da nossa população”, afirmou.
Eraldo ressaltou que sua saída não é motivada por ressentimento, mas pela convicção de que a função perdeu seu propósito. “Acredito que os cargos públicos têm um propósito e, quando esse propósito deixa de existir, permanecer por conveniência é, no mínimo, hipocrisia”, disse.
O parlamentar afirmou que sempre buscou construir consensos, aproximar o Executivo dos vereadores e evitar conflitos desnecessários, colocando os interesses institucionais acima das próprias convicções. “Nenhuma ponte permanece de pé quando apenas um lado insiste em sustentá-la. As pontes exercem sua função quando ambos os lados estão ligados”, destacou.
“A política não pode ser construída no isolamento. Nós somos seres políticos, fomos eleitos e precisamos estar atentos àquilo que a população pede e nos cobra. O desenvolvimento de uma cidade exige a união das instituições, o reconhecimento do papel de cada poder e a humildade de compreender que ninguém governa sozinho”, afirmou.
Na parte final do pronunciamento, o vereador também criticou a prática de encaminhamento de projetos sem discussão prévia com os parlamentares.
“A liderança do governo não pode ser reduzida ao papel de justificar decisões já tomadas ou simplesmente defender posições sem delas participar. Não podemos aceitar apenas projetos prontos que vêm de lá para cá sem que haja discussão e valorização deste Parlamento”, concluiu.
