A apresentação dos resultados do programa Vira Saúde e o lançamento da segunda etapa da iniciativa, o Vira Saúde 2.0, deveriam ter sido um momento de interesse coletivo. Afinal, trata-se de um programa que busca enfrentar um dos maiores desafios da saúde pública de Primavera do Leste: reduzir filas de consultas, exames e cirurgias eletivas.
Entre os vereadores presentes estiveram o presidente da Câmara Municipal, Marco Aurélio, além dos vereadores Irmão Rogério, Valdecir Alventino, Marcondes Martignago e Maria do Super Compras. Todos, em maior ou menor medida, acompanharam diferentes etapas do programa desde o seu lançamento, demonstrando interesse em conhecer os dados, ouvir os técnicos e acompanhar a evolução das ações.
Já a maioria dos parlamentares voltou a não comparecer. É verdade que cada vereador pode ter seus compromissos e suas justificativas. O vereador Sérgio Crocodilo, por exemplo, já havia informado previamente que participaria de um encontro religioso para casais. As demais ausências podem ter razões igualmente legítimas.
Entretanto, há um ponto que merece reflexão.
O papel do vereador não é apenas cobrar. É fiscalizar. E fiscalizar significa conhecer os programas públicos, analisar indicadores, confrontar informações, fazer perguntas e exigir explicações quando necessário. A crítica é parte essencial da democracia, mas ela se fortalece quando é construída sobre conhecimento dos fatos.
Durante a apresentação, a equipe da Secretaria Municipal de Saúde apresentou números, metas alcançadas e novos objetivos para a segunda fase do programa. Esses dados podem (e devem ser questionados). Afinal, transparência existe justamente para permitir esse debate. Mas para contestar resultados, é preciso conhecê-los.
Quando um parlamentar deixa de acompanhar apresentações técnicas e, posteriormente, utiliza apenas relatos isolados recebidos de eleitores como fundamento para criticar uma política pública, corre o risco de fazer uma análise incompleta da realidade. A experiência individual de um cidadão merece ser ouvida, mas também precisa ser confrontada com os indicadores gerais, que mostram a dimensão do problema e os avanços: ou retrocessos alcançados.
Ninguém é obrigado a concordar com o Vira Saúde. Aliás, é desejável que existam diferentes pontos de vista. O que se espera é que essas posições sejam construídas a partir de informações, documentos, números e da presença nos espaços onde essas informações são apresentadas.
Existe um antigo provérbio que diz ser melhor acender uma vela do que simplesmente reclamar da escuridão. Na administração pública, essa vela pode ser traduzida em participação, fiscalização responsável e debate qualificado.
Se os números apresentados pelo Vira Saúde refletem, de fato, a realidade da saúde municipal, cabe aos vereadores reconhecê-los e continuar cobrando novos avanços. Se entendem que os números não correspondem ao que acontece na prática, têm o dever de demonstrar isso com dados, questionamentos técnicos e fiscalização efetiva.
A população ganha quando o debate político deixa de ser apenas discurso e passa a ser sustentado por evidências. É esse o papel que se espera de um Poder Legislativo comprometido com a fiscalização séria e com o interesse público.
