Um vídeo que circula nas redes sociais tenta transmitir a impressão de que um paciente teria chegado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Primavera do Leste e permanecido por um longo período sem receber atendimento. No entanto, as imagens completas do sistema de monitoramento da unidade mostram uma sequência de acontecimentos bem diferente da narrativa apresentada.

De acordo com os registros das câmeras, o rapaz chegou à UPA no início da noite da sexta-feira, 21, caminhando e, como ocorre normalmente com pacientes que chegam à unidade por conta própria, seria submetido ao protocolo de recepção e triagem para que sua condição clínica fosse avaliada e definida a prioridade de atendimento.

Cerca de seis minutos após sua chegada, enquanto o procedimento inicial de atendimento estava sendo iniciado, o rapaz se sentou e, aparentemente, acabou desmaiando, caindo ao solo.

A situação, entretanto, não permaneceu sem resposta. Segundos depois da queda, ele já foi encaminhado para o atendimento interno da UPA, onde recebeu a assistência necessária.

As imagens também não mostram o cenário de uma unidade completamente lotada ou de servidores simplesmente ignorando o paciente, como a publicação que circula nas redes sociais pode levar a entender.

O episódio chama atenção justamente para o risco de se utilizar um recorte de imagens para construir uma narrativa diferente daquela revelada quando toda a sequência dos acontecimentos é observada.

Recorte pode mudar completamente a interpretação

É legítimo que qualquer paciente ou familiar questione um atendimento de saúde quando entender que houve algum problema. Reclamações devem ser ouvidas, apuradas e, quando necessário, corrigidas.

O que não se pode perder de vista, porém, é a diferença entre uma reclamação legítima e a divulgação de um conteúdo recortado de maneira a sugerir que profissionais da saúde deixaram de atender um paciente ou demoraram deliberadamente para prestar assistência.

No caso registrado pelas câmeras, o paciente chegou caminhando à unidade e iniciou o processo normal de recepção e triagem. Poucos minutos depois, apresentou uma alteração repentina, aparentemente desmaiando. E, praticamente de imediato, foi conduzido para a área interna de atendimento.

Isso significa que a interpretação de que o paciente teria simplesmente permanecido sem atendimento não corresponde à sequência completa registrada pelas câmeras.

Nas redes sociais, poucos segundos de uma gravação podem ser suficientes para provocar indignação. Quando o vídeo é analisado dentro de todo o contexto, entretanto, a compreensão dos fatos pode ser completamente diferente.

Informação precisa considerar o contexto

O episódio também reforça a importância de que imagens de câmeras de segurança sejam analisadas em sua totalidade antes que sejam utilizadas para acusar servidores ou colocar em dúvida o trabalho de uma unidade de saúde.

A população de Primavera do Leste tem todo o direito de cobrar qualidade no atendimento público. Da mesma forma, os profissionais que atuam na saúde pública também merecem que seu trabalho seja avaliado com base nos fatos, e não em recortes capazes de induzir a uma interpretação equivocada.

Neste caso, as imagens mostram que houve um processo de recepção e triagem, que o paciente apresentou um episódio aparentemente súbito poucos minutos após sua chegada e que, segundos depois de cair ao solo, já estava sendo encaminhado para atendimento interno.

OPINIÃO: mais do que qualquer narrativa construída nas redes sociais, são os registros completos que permitem compreender o que realmente aconteceu.

A câmera não escolhe lado, não cria narrativa e não faz discurso. Ela simplesmente registra os fatos. E, quando toda a sequência é apresentada, a história pode ser bem diferente daquela contada a partir de um simples recorte.

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