A gestão municipal de Primavera do Leste realizou uma coletiva de imprensa nesta sexta-feira (2), na sala de reuniões da prefeitura, para esclarecer os acontecimentos relacionados aos recentes alagamentos registrados na região da Carvalima (às margens da BR 070 – parque Industrial) e apresentar as medidas que estão sendo adotadas para reduzir os impactos das chuvas no município.
Durante a coletiva, o secretário de Infraestrutura e Obras, Valfredo Rodrigues, e o secretário de Governo, Daniel Russo, explicaram que o problema na região começou a ser tratado pelo município ainda em março, quando fortes chuvas provocaram alagamentos e levaram a Prefeitura a decretar situação de emergência.
Representando o prefeito Sérgio Machnic, Daniel Russo destacou o trabalho que vem sendo realizado pela administração municipal para enfrentar os problemas históricos de drenagem existentes em Primavera do Leste.
Segundo o secretário, a Prefeitura “tem mobilizado equipes, elaborado projetos e adotado medidas emergenciais, mas parte das soluções depende de estudos técnicos, aprovações de órgãos competentes e da disponibilidade de recursos para a execução das obras”.
Daniel explicou que a administração vem trabalhando para incluir os investimentos necessários no orçamento municipal, permitindo que as intervenções sejam realizadas de acordo com as prioridades e as necessidades identificadas nos projetos.
A ideia, segundo ele, é garantir que as obras sejam executadas de maneira planejada e responsável, considerando não apenas a urgência dos problemas, mas também a necessidade de dimensionamento adequado, autorização dos órgãos responsáveis e disponibilidade financeira.
Prefeitura afirma que problema envolve toda a bacia de contribuição
Segundo o secretário de Obras (Sinfra), Valfredo Rodrigues, o município publicou ainda naquela oportunidade, o Decreto nº 2.658, de 24 de março de 2026, após o período de chuvas intensas. A partir daquele momento, equipes da Defesa Civil, Secretaria de Meio Ambiente e Secretaria de Infraestrutura passaram a avaliar as áreas atingidas e identificar pontos considerados de risco.
A região onde estão instaladas empresas como a Carvalima foi apontada como uma dessas áreas, levando o município a autorizar intervenções emergenciais para melhorar o escoamento das águas.
Durante a explicação, Valfredo destacou que a situação não pode ser analisada apenas a partir do ponto onde a água acaba chegando. Segundo ele, a região recebe contribuição de águas provenientes do Distrito Industrial e de áreas rurais, incluindo a Fazenda 13 de Maio.
O secretário explicou que a drenagem ocorre principalmente por escoamento superficial e que, em períodos de chuvas intensas, o volume de água pode superar a capacidade dos sistemas existentes.
Segundo ele a administração contratou estudos e projetos de engenharia para dimensionar a estrutura necessária para conduzir essas águas de maneira segura.
Parte dos projetos foi encaminhada ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), que realizou uma análise e solicitou adequações. Entre os ajustes está a implantação de estruturas capazes de receber temporariamente o volume de água e permitir seu escoamento de maneira gradual, reduzindo a velocidade e a força da enxurrada.
Três bacias de contenção já estão sendo executadas
Uma das principais medidas anunciadas durante a coletiva é a implantação de três bacias de contenção na região próxima ao Distrito Industrial e à Fazenda 13 de Maio. Segundo Valfredo Rodrigues, os proprietários da fazenda autorizaram a entrada das equipes e máquinas do município para a execução das estruturas.
“O objetivo é criar áreas de retenção capazes de receber parte do volume das águas durante as chuvas, evitando que toda a vazão siga de uma só vez para as áreas mais baixas”, avalia.
A Prefeitura informou ainda que existe autorização para a implantação de outras estruturas, caso os estudos técnicos indiquem essa necessidade.
Prefeitura diz que área da antiga faixa do telégrafo envolve domínio da União
Outro ponto abordado durante a coletiva foi a situação fundiária da região. Valfredo Rodrigues explicou que parte da área está relacionada à antiga faixa do telégrafo e, segundo levantamento apresentado pelo secretário, possui relação com domínio da União.
Já a Fazenda 13 de Maio possui matrícula e histórico de arrecadação pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
A situação fundiária também é considerada relevante para a execução de obras de infraestrutura, uma vez que determinadas intervenções dependem de autorização dos órgãos responsáveis.
Medidas também estão sendo adotadas no “Motta”
Outro ponto citado durante a coletiva foi a região da Construmotta, que também apresenta histórico de alagamentos.
Segundo a Prefeitura, está sendo implantada uma estrutura de contenção em uma área com mais de 20 mil metros quadrados, que deverá receber parte da água proveniente da Avenida do Comércio.
A proposta é conduzir a água para a bacia durante a chuva e, posteriormente, utilizar uma motobomba para auxiliar no escoamento do volume acumulado para o sistema de drenagem.
Projetos abrangem outros pontos de alagamento
Durante a coletiva, os secretários afirmaram que o município realizou um levantamento dos principais pontos de alagamento de Primavera do Leste e trabalha na elaboração e análise de projetos específicos.
Entre os locais citados estão trechos das avenidas São Paulo e Florianópolis, além de regiões próximas a viadutos e áreas de contribuição de águas pluviais.
Também foram mencionados projetos envolvendo a MT-130 e estruturas de drenagem e dissipação de energia da água.
As obras estão sendo planejadas com projetos de engenharia e responsabilidade técnica, evitando intervenções emergenciais sem o devido dimensionamento.
Órgãos estaduais e federais precisam autorizar algumas intervenções
Os secretários também explicaram que parte das obras não depende exclusivamente da Prefeitura. Em determinados pontos, principalmente próximos a rodovias e áreas sob responsabilidade de outros órgãos, são necessárias autorizações de entidades como o DNIT, SINFRA e concessionárias responsáveis pelas rodovias.
A administração municipal afirma que não pode executar obras nessas áreas sem as devidas autorizações, sob risco de responsabilização.
Segundo Valfredo Rodrigues, assim que os projetos forem aprovados pelos órgãos competentes, as obras poderão avançar para a fase de execução.
Região do Vale Verde também está no planejamento
Outro problema mencionado durante a coletiva foi o direcionamento das águas para a região do Vale Verde. A Prefeitura informou que está sendo elaborado um projeto para captar parte da água que atualmente desce de áreas mais altas da cidade, incluindo regiões do Centro e do Parque Eldorado.
A proposta apresentada é redirecionar parte desse volume para outro sistema de drenagem, com a expectativa de reduzir a quantidade de água que chega ao Rio Coité.
Segundo o secretário, a estimativa preliminar é de que a intervenção possa retirar entre 50% e 60% do volume de água atualmente direcionado para aquele sistema.
Administração destaca planejamento e investimentos
Ao longo da coletiva, os representantes da administração municipal reforçaram que a estratégia adotada é trabalhar com projetos técnicos antes da execução definitiva das obras.
Representando o prefeito Sérgio Machnic, Daniel Russo reforçou que a administração vem trabalhando para enfrentar problemas históricos de drenagem e infraestrutura, mas que soluções dessa dimensão exigem planejamento, recursos e execução por etapas.
