Os alagamentos que atingem diferentes regiões de Primavera do Leste voltaram ao centro do debate público na terça-feira (13), durante a terceira sessão extraordinária da Câmara Municipal em 2026. Na ocasião, os secretários municipais Daniel Russo, de Governo, e Valfredo Rodrigues, de Infraestrutura, detalharam as intervenções realizadas pela Prefeitura, os projetos em andamento e as dificuldades para executar obras de maior porte.

O problema não é recente. Segundo Daniel Russo, há registros de dificuldades relacionadas à drenagem urbana desde pelo menos 2016, e o município já enfrentava uma situação de emergência por alagamentos em outubro de 2018. A discussão reuniu cobranças sobre pontos críticos, prejuízos a moradores e empresários e informações sobre projetos que dependem de aprovação técnica, autorização de órgãos responsáveis e recursos financeiros.

Projetos milionários aguardam análise

Entre as propostas apresentadas está o projeto de drenagem das avenidas Duvílio Ometto e Florianópolis, que prevê 2.318 metros de rede, com investimento estimado em R$ 6 milhões e prazo de execução de 12 meses. A proposta está em análise na Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT).

Outro projeto contempla as avenidas São Paulo e Santo Antônio e parte da Rua Olivério Porta. São aproximadamente 4.812 metros de rede, com tubulações de até 2.000 milímetros, investimento estimado em R$ 16 milhões e prazo previsto de 26 meses.

A Rua do Comércio também está incluída no planejamento. Dividido em dois trechos, de aproximadamente 1,34 quilômetro e 3,4 quilômetros, o projeto tem custo estimado em R$ 43 milhões e estava em análise na Secretaria Municipal de Infraestrutura.

A Prefeitura acompanha ainda uma proposta de drenagem para a Avenida Niterói e a MT-130, submetida à avaliação da concessionária Rota dos Grãos. Os prazos de execução dos projetos dependem dos encaminhamentos técnicos e administrativos.

BR-070 é um dos principais entraves

Parte das soluções depende de intervenções na BR-070, onde a passagem de estruturas de drenagem exige autorização do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).

Segundo Daniel Russo, a Prefeitura encaminhou ao órgão um projeto para duas travessias em pontos de concentração natural da água. A proposta prevê três aduelas em cada passagem, mas ainda não tem custo definido.

O secretário Valfredo Rodrigues também explicou que o município trabalha em um projeto dividido em quatro fases para modificar o sistema de drenagem da Rua São Paulo, cuja tubulação atravessa a rodovia federal e conduz a água até a cabeceira do Rio Coité.

A situação envolve questões ambientais e judiciais, incluindo um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) perante o Ministério Público e uma ação movida pela Procuradoria de Poxoréu contra Primavera do Leste.

Para construir uma nova galeria, a Prefeitura solicitou à Sinfra-MT aproximadamente R$ 8,6 milhões para a aquisição de aduelas. A estrutura deverá atravessar a faixa de domínio da BR-070, com direcionamento até a região conhecida como Velho Joana. A obra depende de aprovação técnica, autorizações e recursos.

Viadutos têm previsão de novos investimentos

Além da drenagem, foram apresentados projetos de viadutos na BR-070 e na MT-130.

Na BR-070, a estrutura prevista tem aproximadamente 103 metros de extensão e custo estimado em R$ 46 milhões. A obra é de responsabilidade do Governo do Estado, e o projeto ainda passa por ajustes antes da licitação.

Na MT-130, o viaduto projetado tem cerca de 180 metros e investimento estimado em R$ 38 milhões. Conforme Daniel Russo, o projeto foi protocolado na Sinfra-MT, com expectativa de licitação até o fim de 2026 e emissão da ordem de serviço em 2027.

Durante a sessão, Valfredo Rodrigues destacou que o crescimento urbano e a ampliação das áreas pavimentadas aumentam o volume de água que chega às ruas e galerias. Segundo ele, as obras precisam considerar a capacidade das tubulações, as travessias e as estruturas de contenção para evitar que a água seja direcionada para outros pontos vulneráveis.

Rua do Comércio recebe medidas emergenciais

Enquanto os projetos de maior porte aguardam avanço, a Prefeitura adotou medidas emergenciais na região da Rua do Comércio, onde alagamentos provocaram danos a imóveis e empresas.

De acordo com Valfredo, o nível do vertedouro da primeira bacia de contenção, próxima à Carvalima, foi rebaixado após o episódio mais recente. Como houve entrada de água pela parte inferior da estrutura, foram construídas outras três bacias para ampliar a capacidade de retenção e direcionamento da água.

O secretário afirmou que, em chuvas superiores a 100 milímetros, o sistema deverá conduzir a água pelo percurso previsto, até o ponto mais baixo da região, onde está planejada uma travessia sob a BR-070.

A recuperação de muros danificados também foi discutida. Valfredo informou que a aquisição de materiais para reconstruir o primeiro muro atingido no alagamento mais recente já havia sido autorizada. O serviço deverá ser realizado por procedimento indenizatório, enquanto os demais reparos dependerão dos encaminhamentos administrativos.

Obras já realizadas em diferentes regiões

Durante a apresentação, Daniel Russo relacionou intervenções executadas em diversos pontos da cidade para melhorar o escoamento da água.

No Distrito Industrial, serviços de drenagem e recuperação do asfalto custaram aproximadamente R$ 1 milhão. Na Avenida Ângelo Ravanello, a implantação de escada hidráulica, bacia de contenção e dissipador recebeu investimento estimado em R$ 873 mil.

Também foram realizados serviços no Jardim dos Ipês, nas proximidades do cemitério municipal, e a recuperação de um dissipador no bairro Guterrez, em parceria com a incorporadora Riva, ao custo informado de R$ 47 mil.

Outras intervenções incluíram a construção de estruturas de drenagem avaliadas em R$ 144 mil, além de adequações para direcionar a água da chuva nas avenidas dos Trabalhadores e da Mata Fria.

Na Rua Rio de Janeiro, próximo ao Posto 2000, em direção à travessia da MT-130, os trabalhos com tubulações e poços de inspeção estavam em andamento, com custo estimado em R$ 101 mil.

Prefeitura busca mais R$ 57 milhões

Daniel Russo informou que, ao longo de um ano e dez meses da atual administração, foram conquistados ou viabilizados aproximadamente R$ 106 milhões em investimentos, em parceria com o Governo do Estado.

Segundo o secretário, outros R$ 57 milhões estão sendo buscados para novas intervenções. Os valores apresentados não significam que todos os recursos tenham sido pagos ou que as obras correspondentes estejam concluídas.

A Prefeitura também precisa manter os projetos acompanhados de planilhas de custos para permitir a previsão dos investimentos no orçamento municipal. A articulação com deputados estaduais e federais e com o Governo de Mato Grosso foi apontada como parte do processo para viabilizar as obras.

Famílias da Sapolândia podem receber auxílio-aluguel

Outro ponto abordado na sessão foi a situação das famílias que vivem na região conhecida como Sapolândia, nas proximidades da Cohabinha, onde há problemas de drenagem e vulnerabilidade habitacional.

Valfredo Rodrigues informou que a Prefeitura está providenciando a retirada dos moradores da área. Em caso de remoção emergencial, as famílias poderão receber auxílio-aluguel social para garantir moradia temporária durante o processo de realocação.

Vereadores cobram providências e relatam problemas antigos

Os parlamentares questionaram os secretários sobre as medidas previstas para curto, médio e longo prazos e relataram situações acompanhadas há vários anos.

Eeraldo Fortes, um dos autores do requerimento que motivou a convocação, afirmou que o objetivo era obter esclarecimentos sobre as providências, e não procurar culpados pelas deficiências históricas da drenagem.

Irmão Rogério apresentou um vídeo sobre a solução de um problema de erosão nas proximidades dos bairros Santa Clara e São José. Segundo o vereador, a situação vinha da gestão anterior e foi resolvida neste ano. Ele também chamou a atenção para o descarte irregular de lixo em áreas de mata nativa.

Já Marcondes Martignago citou os prejuízos enfrentados por moradores e empresários, especialmente na região da empresa Mota e na Rua do Comércio. O parlamentar relatou que seu próprio estabelecimento foi afetado por uma obra que permaneceu quase um ano em frente ao comércio e afirmou que continuará buscando recursos estaduais e federais para as intervenções necessárias.

A sessão expôs a dimensão dos desafios da drenagem urbana em Primavera do Leste. Entre obras localizadas, medidas emergenciais e projetos que chegam a dezenas de milhões de reais, parte das soluções ainda depende de aprovações, autorizações e financiamento. A efetiva redução dos alagamentos estará ligada à capacidade de transformar essas propostas em obras concluídas nos pontos mais vulneráveis do município.