Durante a sessão ordinária desta segunda-feira, 06, na Câmara Municipal de Primavera do Leste, o vereador Rafael Abreu fez uma cobrança incisiva à Concessionária de Rodovias Rota dos Grãos, criticando a falta de publicidade na realização de uma audiência pública que trata de temas de interesse direto da população.

Em tom de indignação, o parlamentar utilizou a tribuna para questionar a forma como o convite foi conduzido pela Concessionária que administra o trecho da MT 130, entre Primavera do Leste e Paranatinga. O parlamentar destacou que nem mesmo a Casa de Leis foi formalmente informada sobre a realização da audiência.

“A audiência pública e a Câmara, que representa a população e está diretamente ligada à realidade dessa rodovia, não é informada? Está errado. Se é algo para o bem, para melhorar, como o principal representante da população não é comunicado?”, questionou.

Segundo relato apresentado durante a sessão, a divulgação do evento teria ocorrido apenas cerca de meia hora antes, por meio de uma publicação nos stories do Instagram da concessionária, o que, na avaliação do vereador, inviabilizou a participação popular.

“Isso é uma vergonha. Como a população vai se manifestar? Tem gente que nem utiliza rede social. Audiência pública é coisa séria e precisa ser tratada com responsabilidade”, afirmou.

Diante da situação, Rafael Abreu solicitou à assessoria jurídica da Câmara que avalie a a situação e recebeu resposta positiva do presidente da Câmara, Marco Aurélio, falando sobre a possibilidade de judicializar o caso, com o objetivo de anular a audiência. Ele ressaltou que, conforme entendimento defendido no plenário, esse tipo de evento deve ser amplamente divulgado com antecedência mínima de 30 dias.

O vereador também reforçou que o Legislativo municipal mantém postura de diálogo com a concessionária, mas não abrirá mão de cobrar respeito à população. “Nós respeitamos o trabalho da empresa, mas quando as coisas não funcionam, precisam ser debatidas. A Câmara está de portas abertas para o diálogo, mas o que foi feito é, no mínimo, imoral”, declarou.

Rafael Abreu ainda destacou que Primavera do Leste se consolidou como polo regional e que decisões envolvendo a rodovia impactam não apenas o município, mas cidades vizinhas que dependem da infraestrutura para o escoamento da produção e mobilidade. “A nossa população é quem sofre. Não podemos nos calar. Essa é uma demanda de Primavera e de toda a região”, completou.

A manifestação deve repercutir nos próximos dias, com análise jurídica sobre a validade da audiência pública e eventual cobrança formal de esclarecimentos à concessionária.