Há uma pergunta simples que qualquer morador de Primavera do Leste consegue responder sem consultar dado algum: você já esperou meses por um exame no SUS? A resposta, na maioria das vezes, é sim. O que os dados do SISREG — Sistema Nacional de Regulação, administrado pelo Ministério da Saúde, fazem é transformar essa vaga percepção em número concreto.
O número concreto é de 33.143 pessoas. É o total de primaverenses que aguardam, neste momento, algum exame ou procedimento cirúrgico dentro do sistema público de saúde. Isso representa 33% da população do município esperando por algo que o sistema deveria ter entregue e que, por falta de capacidade instalada, não entregou.
A fila mais antiga é a de cirurgia de pterígio, uma condição ocular corrigível com procedimento ambulatorial de baixa complexidade. A fila data de abril de 2024. Há moradores de Primavera aguardando, há dois anos, uma cirurgia que dura menos de uma hora. A mesma situação se repete, em escalas diferentes, para exames de ultrassom (fila desde maio de 2024) e exames laboratoriais de sangue (fila desde setembro de 2024).
A raiz dessas filas é a mesma: falta capacidade instalada na rede pública. Faltam equipamentos de imagem, faltam horas de laboratório conveniado, faltam blocos cirúrgicos disponíveis. E, acima de tudo, falta a atenção primária que deveria ter feito o diagnóstico precoce, antes de a condição evoluir para a fase em que o exame de imagem se torna necessário.
A Secretaria de Saúde do Estado do Mato Grosso opera o programa Zera-Fila, que convenia com municípios a realização de cirurgias eletivas e exames de alta complexidade sem custo para o município. Ressonâncias, tomografias e cirurgias oftalmológicas são absorvíveis por esse programa.
