O casal primaverense Julinere Goulart Bentos e Cesar Jorge Sechi, juntamente com os policiais militares Jackson Pereira Barbosa e Ícaro Nathan Santos Ferreira, irá a júri popular pela morte do advogado Renato Gomes Nery, ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil: Seccional Mato Grosso. A decisão foi proferida nesta quarta-feira,6, pelo juiz João Bosco Soares da Silva, que acolheu integralmente a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso.

Os quatro acusados responderão por homicídio qualificado, com agravantes de motivo torpe, uso de meio que resultou perigo comum e recurso que dificultou a defesa da vítima. O processo também mantém a acusação de participação em organização criminosa, além do aumento de pena em razão da idade da vítima, que tinha 72 anos na época do crime.

Segundo a denúncia do Ministério Público, Julinere e Cesar teriam sido os mandantes do assassinato, enquanto os policiais militares teriam atuado como intermediadores da execução. A investigação aponta que o crime foi cometido de forma coordenada, com divisão de funções dentro de uma estrutura criminosa organizada.

Renato Nery foi assassinado no dia 5 de julho de 2024, em frente ao próprio escritório, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá. Conforme as investigações, ele foi surpreendido por disparos de arma de fogo no momento em que chegava ao local de trabalho.

A motivação do crime, segundo o Ministério Público, estaria ligada a uma disputa judicial envolvendo mais de 12 mil hectares de terras no município de Novo São Joaquim. Os investigadores sustentam que o casal acusado não aceitava os desdobramentos da disputa e, por isso, teria encomendado a execução do advogado.

Na decisão de pronúncia, o magistrado destacou que há provas da materialidade do crime, incluindo laudos periciais, registros policiais, imagens e depoimentos colhidos durante a fase de instrução processual. O juiz também afirmou haver indícios suficientes de autoria contra todos os denunciados, requisito necessário para que o caso seja submetido ao Tribunal do Júri.

O caso teve grande repercussão em Mato Grosso, especialmente pela trajetória de Renato Nery no meio jurídico e pela gravidade das acusações envolvendo mandantes e integrantes das forças de segurança pública.