A sessão ordinária da Câmara Municipal de Primavera do Leste, realizada nesta segunda-feira, 4, foi marcada por um forte mal-estar entre parlamentares após declarações da vereadora Maria do Supercompras.
O episódio, que ganhou ampla repercussão, teve origem em uma indicação apresentada pela própria vereadora na sessão anterior, na qual ela sugeria que o município passasse a seguir o calendário do Governo do Estado (ou até mesmo reduzisse drasticamente), chegando ao fim, dos pontos facultativos.
Ao retomar o tema na tribuna, Maria do Supercompras justificou a proposta destacando os impactos dos pontos facultativos no comércio e, principalmente, na renda de trabalhadores. Segundo ela, a suspensão de atividades em creches e escolas acaba afetando diretamente colaboradores que dependem desses serviços para manter a rotina de trabalho.
“Eu, como comerciante, a gente recebe muitas faltas dos nossos colaboradores pela emenda, quando o prefeito decreta ponto facultativo. Uma colaboradora que ganha R$ 1.800, R$ 2.000, se tiver uma falta, duas faltas, porque não pode trabalhar por falta de creche ou escola, no final do mês dá uma diferença muito grande na vida dela”, pontuou.
A vereadora reconheceu que os pontos facultativos podem ser vistos como benefício, mas fez um alerta sobre os reflexos práticos: “É bom, é gostoso, porque não vai trabalhar, né? Mas é a responsabilidade humana que nós temos que ter”.
Ela também sugeriu que o Executivo municipal reavalie o calendário para o próximo ano:
“Eu queria dar esse alerta para o nosso Executivo que olhasse com carinho para o ano que vem, para não ter mais tanto ponto facultativo”, citou.
Foi a partir desse contexto (da indicação e da retomada do tema em plenário), que o debate evoluiu e ganhou tom mais acalorado. Na sequência, ao ampliar sua fala para críticas envolvendo a rede pública e a atuação de professores, a vereadora acabou gerando reação imediata.
Entre os pontos mais sensíveis, Maria do Supercompras comparou o número de comerciantes com o de profissionais da educação no município e fez declarações que foram interpretadas como desrespeitosas pela categoria, o que intensificou o clima de tensão.
A resposta veio na sequência com a vereadora e professora Rubia Longhi, que rebateu as colocações e defendeu a valorização dos educadores, destacando os desafios enfrentados dentro das salas de aula e a importância da categoria para o município. O episódio rapidamente ultrapassou o plenário, repercutindo nas redes sociais, ampliando o debate.
A discussão passou a envolver não apenas a questão dos pontos facultativos, mas também temas como valorização profissional, impacto das decisões administrativas no cotidiano dos trabalhadores e os limites do discurso político no ambiente legislativo.
