A empresária primaverense Julinere Goulart Bentos continuará presa preventivamente após decisão do desembargador Gilberto Giraldelli, da Terceira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso. A decisão, publicada nesta quinta-feira, negou pedido liminar em habeas corpus apresentado pela defesa.

Julinere está detida desde 9 de maio de 2025, acusada de ser uma das mandantes do assassinato do advogado Renato Gomes Nery, crime que teve grande repercussão em Mato Grosso.

Na última semana, a Justiça determinou que Julinere, o marido dela, Cesar Jorge Sechi, e outros investigados sejam levados a júri popular pelos crimes de homicídio qualificado e organização criminosa. A data do julgamento ainda não foi definida.

No pedido encaminhado ao TJ-MT, os advogados da empresária alegaram “constrangimento ilegal”, sustentando que a decisão de pronúncia não teria reavaliado de maneira fundamentada a necessidade da manutenção da prisão preventiva. A defesa também pediu, de forma subsidiária, a conversão da prisão em domiciliar, argumentando que a filha adolescente da acusada possui diagnóstico de TDAH e transtorno de ansiedade generalizada, necessitando de acompanhamento materno.

Ao analisar o pedido, o desembargador Gilberto Giraldelli afirmou que, em avaliação preliminar, não encontrou indícios de ilegalidade ou abuso de poder que justificassem a soltura imediata da empresária.

O magistrado ainda determinou que a 14ª Vara Criminal de Cuiabá encaminhe informações complementares para subsidiar o julgamento definitivo do habeas corpus pela Terceira Câmara Criminal do TJ-MT.

Crime teve grande repercussão em Mato Grosso

Ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso, Renato Nery foi baleado na cabeça no dia 5 de julho de 2024, quando chegava ao escritório localizado na Avenida Fernando Corrêa, em Cuiabá.

O advogado chegou a ser socorrido e encaminhado ao Complexo Hospitalar Jardim Cuiabá, onde passou por procedimentos cirúrgicos, mas morreu no dia seguinte em decorrência dos ferimentos.

As investigações conduzidas pela Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa apontam que o casal de empresários mantinha uma longa disputa judicial com Renato Nery envolvendo uma área rural avaliada em cerca de R$ 30 milhões, localizada no município de Novo São Joaquim.

Segundo a investigação, parte da propriedade havia sido recebida pelo advogado como pagamento de honorários advocatícios após mais de três décadas de atuação no processo. Meses antes do crime, Renato Nery teria conseguido uma decisão judicial que bloqueou o arrendamento de mais de R$ 2 milhões da fazenda, fato apontado pela Polícia Civil como possível motivação para o assassinato.