A movimentação em torno da entrada da empresária Jéssica Riva no projeto eleitoral do MDB abriu uma nova frente de desgaste interno no partido e expôs um cenário delicado para lideranças que já estavam alinhadas em torno da pré-candidatura da deputada estadual Janaína Riva ao Senado Federal.

Nesse contexto, a fala do ex-prefeito de Primavera do Leste e ex-presidente da Associação Mato-Grossense dos Municípios, Leonardo Bortolin, surge como uma tentativa clara de conter a crise e reduzir a percepção de divisão dentro da legenda.

Ao afirmar que “há espaço no partido” e minimizar as críticas surgidas nos bastidores, Bortolin tenta sinalizar unidade em um momento em que o MDB vive uma disputa silenciosa por espaço político, influência eleitoral e sobrevivência dentro de uma chapa considerada extremamente competitiva.

Nos bastidores, porém, o desconforto existe e vem sendo relatado há semanas. A chegada de Jéssica ao cenário eleitoral alterou o equilíbrio interno da chapa proporcional do MDB, justamente porque ela carrega o peso político do sobrenome Riva e uma estrutura eleitoral historicamente consolidada no Estado.

A principal preocupação entre aliados do partido não é apenas a candidatura em si, mas os reflexos dela sobre acordos anteriormente construídos em torno do projeto majoritário de Janaína Riva ao Senado. Lideranças emedebistas vinham se organizando com base na ideia de que o grupo estaria concentrado na eleição de Janaína e na montagem de uma chapa proporcional equilibrada. A entrada de mais um nome forte da família Riva passou a ser vista por parte dos aliados como fator de desequilíbrio interno.

O cenário se torna ainda mais sensível porque Leonardo Bortolin também aparece como um dos nomes competitivos do MDB para a Assembleia Legislativa. Ou seja, ao mesmo tempo em que atua publicamente em defesa da unidade partidária, ele próprio está inserido na disputa por espaço dentro de uma chapa considerada “pesada”, com muitos candidatos fortes para poucas vagas.

A declaração do ex-prefeito também revela uma preocupação estratégica: evitar que a crise interna enfraqueça o projeto de Janaína Riva ao Senado. Nos últimos meses, Bortolin se consolidou como um dos principais defensores da candidatura da deputada, tratando o projeto como prioridade absoluta do MDB em Mato Grosso.

Por isso, ao relativizar o desconforto e defender espaço para todos dentro do partido, Bortolin tenta impedir que a narrativa de divisão ganhe força pública e comprometa as articulações eleitorais de 2026.

Ainda assim, o episódio evidencia um problema recorrente nas grandes chapas proporcionais: quanto maior o número de candidatos competitivos, maior a disputa interna por estrutura, apoio político, bases eleitorais e protagonismo. No MDB, essa tensão ficou ainda mais evidente porque envolve uma das famílias politicamente mais influentes do Estado.

Além disso, há um componente simbólico importante. Janaína Riva havia declarado meses atrás que não considerava vantajoso ter outra candidatura da família na disputa de 2026. A mudança de cenário reforçou interpretações de que houve revisão de estratégia política dentro do grupo familiar.

Nos bastidores da política mato-grossense, a avaliação predominante é que o MDB entra em uma fase decisiva de reorganização interna. O partido tenta equilibrar projetos individuais fortes sem provocar rupturas que possam comprometer tanto a disputa proporcional quanto a candidatura ao Senado.

A fala de Leonardo Bortolin, nesse ambiente, funciona menos como um simples comentário político e mais como um movimento de contenção de danos dentro de um MDB que vive, hoje, um dos momentos mais delicados de sua construção para 2026.