DA REDAÇÃO com A GAZETA – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin, concedeu prazo de 15 dias para que o lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, apontado como um dos principais alvos da Operação Sisamnes, apresente defesa prévia à denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República (PGR). A decisão também alcança sua esposa, Mirian Ribeiro Gonçalves, e outros sete denunciados.
O grupo é acusado de integrar uma organização criminosa voltada à suposta compra e venda de decisões judiciais, além de responder por crimes como corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e exploração de prestígio. Na mesma decisão, Zanin manteve as medidas cautelares impostas aos investigados e autorizou a prorrogação das investigações por mais 60 dias.
Segundo o ministro, ainda existem diligências em andamento e a apuração permanece aberta devido à possível participação de autoridades com foro privilegiado, além da necessidade de aprofundar a identificação de vínculos e responsabilidades dentro do esquema investigado.
A denúncia da PGR aponta que Andreson liderava uma estrutura criminosa dividida em núcleos responsáveis pela captação de interessados em decisões judiciais, obtenção de informações sigilosas e movimentação financeira destinada a ocultar recursos de origem ilícita. Conforme as investigações, ele atuaria como intermediário entre advogados e assessores ligados a magistrados do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
O caso ganhou dimensão nacional após o assassinato do advogado Roberto Zampieri, ocorrido em dezembro de 2023, em Cuiabá. A análise do celular da vítima revelou conversas e documentos que, segundo os investigadores, indicariam a existência de um esquema de comercialização de minutas de decisões judiciais e vazamento de informações sigilosas.
De acordo com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, a organização atuou entre 2019 e 2023, com ramificações em Mato Grosso e influência sobre processos que tramitavam no STJ. A investigação segue sob supervisão do STF e poderá resultar em novas denúncias à medida que as diligências forem concluídas.
Operação Sisamnes
Deflagrada para apurar um suposto esquema de negociação de decisões judiciais, a Operação Sisamnes investiga a atuação de intermediários, agentes públicos e operadores financeiros suspeitos de influenciar julgamentos mediante pagamento de vantagens indevidas. A manutenção das investigações pelo STF indica que o caso ainda está longe de um desfecho e pode revelar novos envolvidos nos próximos meses.
