Na política, tão importante quanto executar é saber dialogar. E, quando o assunto é a relação entre Executivo e Legislativo, a figura do líder do governo na Câmara Municipal assume um papel estratégico: é ele quem defende os projetos da administração, articula consensos, esclarece dúvidas e, sobretudo, constrói pontes.
Diante das discussões sobre a necessidade de uma eventual mudança na liderança do prefeito Sérgio Machnic no Legislativo, uma pergunta surge de forma natural: por que procurar um líder e não considerar uma líder?
A Câmara Municipal de Primavera do Leste conta atualmente com quatro mulheres eleitas pelo voto popular: Mariana Carvalho, Maria do Supercompras, Gislaine Yamashita e Karla da Saúde. Todas possuem legitimidade política e representam parcelas importantes da população primaverense.
As três primeiras vivem a experiência do primeiro mandato. Estão construindo suas trajetórias parlamentares, acumulando experiência e consolidando seus espaços dentro do Legislativo. O fato de serem estreantes, entretanto, não diminui suas capacidades ou potencial de crescimento político.
Mas é justamente na vereadora Karla da Saúde que muitos observadores enxergam características que podem credenciá-la para uma função de maior responsabilidade institucional.
Em seu segundo mandato, servidora pública e conhecedora da realidade do município, Karla apresenta um perfil que combina experiência, equilíbrio e capacidade de diálogo. Ao longo de sua atuação parlamentar, demonstrou que independência não significa oposição sistemática, assim como apoio não representa submissão automática.
Ela sabe cobrar, uma vez que quando identifica demandas da comunidade, reivindica soluções. Quando percebe falhas, aponta correções. Quando recebe as demandas de suas bases e dos eleitores que representa, leva essas cobranças ao poder público de maneira firme, mas sem transformar divergências em confrontos desnecessários.
Ao mesmo tempo, sabe reconhecer avanços, pois quando ações são realizadas, obras saem do papel ou serviços apresentam resultados positivos, a vereadora também faz elogios públicos e reconhece o mérito da administração. Trata-se de uma postura cada vez mais rara em tempos de polarização política: a capacidade de criticar quando é preciso e elogiar quando é justo.
Fazendo uma analogia, é como o papel de um fiscal responsável. Não é aquele que procura defeitos em tudo, nem aquele que fecha os olhos para os problemas. É quem observa atentamente, aponta o que precisa melhorar e reconhece aquilo que está funcionando. Talvez seja exatamente esse o perfil que uma liderança governista necessite.
Afinal, o líder do governo não deve ser apenas um defensor incondicional do Executivo. Sua função exige maturidade para ouvir críticas, habilidade para negociar, sensibilidade para compreender as demandas populares e coragem para transmitir ao prefeito aquilo que precisa ser ajustado.
Nesse aspecto, Karla da Saúde apresenta outro elemento relevante em sua trajetória política. Eleita pelo MDB, legenda ligada ao ex-prefeito Leonardo Bortolin, foi a primeira vereadora oriunda daquele grupo político a declarar apoio à base do prefeito Sérgio. Sua decisão demonstrou capacidade de separar disputas eleitorais dos interesses administrativos do município.
A decisão pertence exclusivamente ao prefeito e envolve fatores internos, estratégicos e de confiança política. Entretanto, ignorar seu nome nesse debate talvez seja deixar de considerar uma alternativa que reúne atributos importantes para o exercício da função.
Mais do que uma discussão sobre gênero, trata-se de uma reflexão sobre perfil, experiência e capacidade de articulação. Se a gestão municipal entende que o momento exige uma liderança capaz de fortalecer a interlocução entre Prefeitura e Câmara, construir consensos e defender os interesses da administração sem perder a capacidade crítica.
