ANÁLISE: a notícia de que o MDB já trabalha com os ex-prefeitos Léo Bortolin e Fábio Faria como possíveis candidatos a vice-governador chamou atenção nos bastidores políticos. Mas, ao analisar o momento e as circunstâncias, a impressão é de que a divulgação gera muito mais especulação do que propriamente revela uma articulação consolidada.
Primeiro porque o MDB sequer definiu qual projeto majoritário irá apoiar. A legenda mantém conversas com Wellington Fagundes (PL), Otaviano Pivetta (Republicanos) e ainda aguarda o desfecho da situação de Jayme Campos (União Brasil). Ou seja, antes de discutir quem ocupará a vaga de vice, o partido ainda precisa decidir de qual chapa pretende fazer parte.
Outro ponto desperta ainda mais questionamentos.
Léo Bortolin construiu sua pré-candidatura para deputado estadual ao longo dos últimos meses. Seu nome aparece em pesquisas, percorre o Estado e sua estratégia eleitoral sempre esteve voltada para uma cadeira na Assembleia Legislativa. Não houve qualquer movimento público indicando mudança de rumo para uma disputa ao Executivo.
Já no caso de Fábio Faria, a situação é ainda mais curiosa. O ex-prefeito de Canarana declarou recentemente que sequer pretende disputar as eleições deste ano. Ainda assim, passa a figurar como possível candidato a vice-governador.
Naturalmente, isso provoca uma pergunta: por que colocar em circulação dois nomes que, ao menos publicamente, não demonstram estar construindo esse projeto?
Nos bastidores da política, esse tipo de movimento não é novidade. Em anos eleitorais, reportagens baseadas em apurações internas frequentemente cumprem o papel de testar a aceitação de determinados nomes, aumentar seu capital político ou fortalecer negociações futuras. Não significam, necessariamente, que exista uma decisão encaminhada.
Há ainda outro aspecto que torna essa hipótese pouco convincente.
Se o MDB realmente conquistar o direito de indicar o vice em uma chapa competitiva ao Governo do Estado, dificilmente essa discussão passará ao largo de Janaína Riva. Presidente estadual da legenda, principal liderança do partido e pré-candidata ao Senado, ela concentra hoje o maior peso político do MDB mato-grossense. Embora sua prioridade declarada seja a disputa ao Senado, qualquer composição majoritária inevitavelmente passa por sua liderança e capacidade de negociação.
Nesse contexto, antecipar nomes para uma eventual vice parece mais uma tentativa de posicionamento político do que um retrato fiel das negociações.
Até porque o calendário eleitoral ainda reserva convenções, definições partidárias e pesquisas que podem alterar completamente o cenário.
Por enquanto, o MDB continua negociando. Os candidatos ao Governo continuam conversando. E os nomes colocados em circulação parecem servir muito mais para movimentar o tabuleiro político do que para anunciar uma decisão efetivamente tomada.
A política, especialmente em ano eleitoral, também se faz pela disputa das narrativas. E, neste momento, a narrativa parece correr bem mais rápido do que os fatos.
