O assassinato do advogado Roberto Zampieri voltou ao centro das atenções após o Ministério Público de Mato Grosso recorrer da decisão que manteve em liberdade três denunciados apontados como integrantes da organização criminosa investigada pelo crime. A Promotoria pede agora que a Justiça decrete a prisão preventiva de Peterson Venites Komel Júnior, Salézia Maria Pereira de Oliveira e Mario Jorge Bucater.

Para o Ministério Público, os três desempenhavam funções essenciais dentro da estrutura criminosa responsável por dar suporte ao homicídio, considerado um dos casos de maior repercussão da história recente de Mato Grosso. O recurso foi apresentado pelo Núcleo de Defesa da Vida, que sustenta haver elementos suficientes para justificar a prisão dos denunciados.

Segundo a investigação, a organização criminosa teria sido liderada por Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas e contratada por Aníbal Manoel Laurindo e Elenice Ballarotti Laurindo para executar Roberto Zampieri em razão de uma disputa patrimonial envolvendo uma fazenda avaliada em aproximadamente R$ 100 milhões.

Embora não sejam acusados de participação direta na execução do advogado, Peterson, Salézia e Mario Bucater são apontados como peças importantes no funcionamento da organização. Conforme a denúncia, Peterson teria atuado na compra de armas, monitoramento de alvos e recrutamento de integrantes, enquanto Salézia e Mario Bucater seriam responsáveis por fornecer apoio financeiro ao grupo, garantindo recursos para manter o silêncio dos executores e dificultar a identificação dos mandantes.

No recurso, o Ministério Público afirma que a manutenção dos investigados em liberdade representa risco à ordem pública e à própria instrução criminal. Os promotores destacam que as provas reunidas indicam uma organização estruturada, com divisão de funções e voltada à prática de homicídios sob encomenda.

O pedido é assinado pelos promotores Samuel Frungilo, Vinícius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, que defendem a necessidade de endurecimento das medidas cautelares diante da gravidade dos fatos investigados.

Caso continua revelando novos desdobramentos

Roberto Zampieri foi executado a tiros na noite de 5 de dezembro de 2023, em frente ao escritório onde trabalhava, em Cuiabá. As investigações apontam que o atirador aguardou a vítima por cerca de uma hora antes de realizar os disparos e fugir.

Desde então, o caso revelou uma complexa investigação sobre um suposto esquema criminoso envolvendo planejamento, financiamento e divisão de tarefas para a execução do advogado, tornando-se uma das maiores investigações de homicídio já conduzidas em Mato Grosso.

Agora, caberá ao Tribunal analisar o recurso do Ministério Público e decidir se os três denunciados permanecerão em liberdade ou passarão a responder ao processo presos.