OPINIÃO: A Prefeitura de Poxoréu decidiu entrar de vez na disputa pela permanência de Nova Poxoréu em seu território. Em manifestação publicada no site oficial do município no último dia 18 de agosto, a administração pediu que a população vote “não” no plebiscito marcado para 25 de outubro, quando será decidido o futuro territorial da localidade.
O município afirma que não pretende abrir mão do distrito e apresenta uma série de números para sustentar que mantém presença administrativa e investimentos na região. Segundo a Prefeitura, são mais de R$ 6 milhões por ano destinados a obras, educação, saúde, assistência social, administração e regularização fundiária.
O discurso oficial, entretanto, encontra uma realidade que há muito tempo ultrapassa os limites desenhados no mapa.
Nova Poxoréu está em Poxoréu no mapa, mas Primavera está presente no cotidiano
A questão que começa a ganhar força no debate é simples: onde o morador de Nova Poxoréu efetivamente busca aquilo que precisa no dia a dia?
Apesar de pertencer administrativamente a Poxoréu, Nova Poxoréu está inserida em uma área de forte influência de Primavera do Leste. É a cidade mais próxima e, na prática, tornou-se referência para boa parte das necessidades da população.
Comércio, serviços, atendimento médico, educação, trabalho, instituições financeiras, transporte, compras e uma série de outras atividades fazem com que moradores da localidade mantenham uma relação cotidiana muito mais intensa com Primavera do Leste.
Ou seja, existe uma diferença importante entre pertencer administrativamente a um município e estar efetivamente integrado à dinâmica de outro.
E é justamente essa realidade que torna a discussão sobre a anexação tão sensível.
Poxoréu apresenta milhões em investimentos
Na tentativa de demonstrar que Nova Poxoréu não está abandonada, a Prefeitura de Poxoréu afirma investir mais de R$ 6 milhões anuais no distrito.
A administração cita cerca de R$ 2,9 milhões em obras e infraestrutura, mais de R$ 1,2 milhão na educação, aproximadamente R$ 1,05 milhão na saúde e cerca de R$ 826 mil na assistência social.
Também são mencionados aproximadamente R$ 108 mil em administração e ações de regularização fundiária, com previsão de cerca de 700 títulos e mais de 200 já entregues.
O município também cita projetos futuros, como a pavimentação de 5,6 quilômetros do principal trecho do distrito, a construção de uma nova escola estadual e a criação de seis novas salas anexas na Escola Municipal Leila Aparecida.
São números e projetos que, segundo Poxoréu, demonstrariam sua presença e justificariam a permanência da localidade sob sua administração.
Mas uma pergunta permanece
Se Poxoréu afirma manter uma presença tão significativa e investir milhões de reais todos os anos em Nova Poxoréu, por que a população continua tão fortemente dependente de Primavera do Leste?
Essa é uma pergunta que precisa fazer parte do debate do plebiscito.
Porque não basta afirmar que existe uma prefeitura responsável pelo território. É preciso observar qual cidade está efetivamente integrada à vida daquela população.
Primavera do Leste, independentemente da discussão sobre a mudança dos limites municipais, já exerce uma influência concreta sobre Nova Poxoréu.
É para Primavera que muitos moradores recorrem quando precisam de produtos, serviços, atendimento especializado, oportunidades de trabalho e outras demandas que não encontram com a mesma facilidade na própria localidade.
Nesse sentido, a discussão deixa de ser apenas sobre quem é o dono administrativo do território e passa a envolver uma questão muito mais prática: quem está mais próximo da população e quem tem melhores condições de atender suas necessidades?
Uma disputa que vai além de números
Poxoréu tem razão ao defender sua história e apresentar os investimentos realizados em Nova Poxoréu. Mas os moradores também têm o direito de avaliar se esses investimentos são suficientes, se chegam de maneira adequada à população e, principalmente, se a estrutura administrativa atual corresponde à realidade vivida no distrito.
A proximidade com Primavera do Leste não é uma questão meramente geográfica.
Ela se traduz em relações econômicas, sociais e de prestação de serviços construídas ao longo dos anos.
Por isso, o argumento de que Poxoréu possui “presença permanente” precisa ser analisado não apenas pela quantidade de dinheiro anunciada, mas pelo resultado percebido na ponta.
Investir é importante. Estar presente também. Mas, para quem mora em Nova Poxoréu, a pergunta talvez seja outra: onde essa população encontra, de fato, aquilo que precisa?
Plebiscito colocará decisão nas mãos da população
A Prefeitura de Poxoréu já deixou clara sua posição e trabalha para que o eleitor vote “não” à anexação de Nova Poxoréu a Primavera do Leste.
A consulta está marcada para 25 de outubro e deverá transformar a discussão territorial em uma das principais pautas políticas da região nos próximos meses.
Poxoréu fala em história, investimentos e responsabilidade sobre o território.
Primavera do Leste, por sua vez, aparece como a cidade que, na prática, está no cotidiano da comunidade e que já exerce forte papel como polo regional.
No fim das contas, porém, a decisão não deveria ser tomada apenas pela conveniência administrativa dos municípios.
O território pode pertencer a Poxoréu, mas a vida das pessoas não se limita às linhas de uma divisa.
E serão justamente essas pessoas que terão a palavra final no dia 25 de outubro.
