A Polícia Civil, por meio da Delegacia de Homicídios e Delitos Gerais de Primavera do Leste, interrompeu um sequestro com cárcere privado e impediu que seis pessoas fossem submetidas a agressões e tortura durante um denominado “tribunal do crime”.

A ação também resultou na localização de drogas, balanças de precisão e materiais utilizados para a comercialização de entorpecentes. A intervenção ocorreu durante diligências destinadas a apurar o desaparecimento de J.C.J.S., no curso das investigações, a equipe identificou um veículo que teria sido utilizado no sequestro e desaparecimento de J.C.J.S.

O automóvel também estaria sendo empregado por pessoas relacionadas aos fatos investigados nos relatórios de inteligência. Após diligências de campo, os policiais localizaram o veículo e o acompanharam até uma residência, que passou a ser monitorada.

Durante o acompanhamento, a equipe recebeu informações de que integrantes da organização criminosa haviam sequestrado pessoas e conduzido as vítimas até o imóvel, onde seriam submetidas a um “salve”, punição violenta determinada pela facção durante o chamado “tribunal do crime”.

Diante da possibilidade concreta de haver pessoas privadas de liberdade e em risco no interior da residência, investigadores e um escrivão da Polícia Civil realizaram a intervenção.

Nas proximidades do imóvel, dois adolescentes foram identificados exercendo, aparentemente, a função de “olheiros” da organização criminosa. No interior da residência, os policiais encontraram os suspeitos e as pessoas que haviam sido conduzidas ao local.

Parte das vítimas estava em um quarto fechado. Uma delas foi localizada sentada em uma cadeira, diante de um dos investigados, circunstância compatível com a realização de um interrogatório promovido pela organização criminosa.

No momento da entrada policial, um dos suspeitos arremessou seu telefone celular para a rua, embaixo de um caminhão, em aparente tentativa de inutilizá-lo. Simultaneamente, os policiais ouviram, dentro do quarto, barulhos compatíveis com aparelhos celulares sendo jogados contra o chão e quebrados.

As vítimas confirmaram que haviam sido conduzidas à residência. Segundo os relatos colhidos, pessoas levadas para o “tribunal do crime” não poderiam permanecer com seus aparelhos celulares.

A investigação também apurou que integrantes da organização criminosa seriam orientados a destruir os dispositivos em caso de abordagem policial, com a finalidade de dificultar a obtenção de provas.

Durante as buscas, foram apreendidos diversos telefones celulares, alguns sem identificação imediata dos proprietários e outros já danificados. Também foram encontradas várias porções de substância com características análogas à maconha, previamente acondicionadas em embalagens do tipo ziplock, além de embalagens vazias e duas balanças, elementos indicativos da preparação e comercialização de entorpecentes.

Os envolvidos foram encaminhados à unidade policial, e os materiais encontrados foram apreendidos para análise. As investigações prosseguem para individualizar as condutas, esclarecer o desaparecimento de J.C.J.S., identificar outros integrantes do grupo criminoso.

A rápida atuação da equipe da Delegacia de Homicídios e Delitos Gerais de Primavera do Leste foi fundamental para interromper a ação criminosa, preservar a integridade das vítimas e impedir a execução das punições determinadas pela facção.