A queda do sigilo de parte da investigação envolvendo o Banco Master revelou novas mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. O conteúdo coloca em evidência a proximidade entre os dois e amplia os questionamentos sobre uma possível antecipação de informações relacionadas às medidas que estavam sendo preparadas pela Polícia Federal.
Em uma mensagem enviada em 15 de novembro de 2025, dois dias antes de sua prisão, Vorcaro perguntou diretamente a Moraes:
“Acha que segunda já tenho que estar fora?”
Na sequência, o então controlador do Banco Master fez outras perguntas, mencionando o juiz Ricardo, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e questionando se ainda seria possível fazer alguma coisa diante da situação.
No dia seguinte, 16 de novembro, Vorcaro voltou a procurar Moraes e perguntou:
“Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?”
No dia seguinte, 17 de novembro, a Polícia Federal prendeu o banqueiro quando ele tentava embarcar em um avião particular com destino a Dubai.
PF investiga possível vazamento de informações
Os registros encontrados pela Polícia Federal passaram a integrar a investigação sobre a chamada Operação Compliance Zero. Segundo os investigadores, o conteúdo das conversas permite levantar a hipótese de que Vorcaro teria recebido informações antecipadas sobre o andamento de medidas que seriam executadas pela PF.
Entre os elementos analisados estão referências a datas e horários de diligências e à possibilidade de ações contra integrantes do grupo empresarial ligado ao Banco Master.
Há, porém, uma ressalva importante: as respostas eventualmente enviadas por Moraes não foram recuperadas pelos peritos. O que a investigação conseguiu identificar foram mensagens encaminhadas por Vorcaro, algumas delas por meio de capturas de tela de textos produzidos no aplicativo de notas.
Por isso, as mensagens comprovam que Vorcaro procurava o ministro e fazia perguntas sobre a possibilidade de prisão e sobre a investigação, mas não comprovam, isoladamente, que Moraes tenha efetivamente fornecido informações sigilosas ou interferido na operação.
Contrato de R$ 131 milhões também está sob questionamento
A investigação também colocou no centro das discussões um contrato de aproximadamente R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
O próprio escritório confirmou que Alexandre de Moraes foi consultado sobre possíveis impedimentos legais relacionados à contratação.
Segundo a banca, a consulta teria ocorrido na condição de marido da sócia-diretora e buscava verificar, entre outros pontos, a eventual existência de processos no STF sob relatoria de Moraes ou julgamentos de interesse do possível cliente.
