A concessionária Águas de Primavera voltou ao centro das discussões na Câmara Municipal de Primavera do Leste, após vereadores apresentarem denúncias sobre extravasamentos de esgoto, cobrarem análises da qualidade da água em cursos d’água do município e questionarem o aumento expressivo nas contas pagas pelos consumidores.
Durante o debate, os parlamentares anunciaram medidas para ampliar a fiscalização dos serviços de saneamento. Entre as iniciativas estão o encaminhamento de um ofício à Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente (Sama), solicitando análises da água, e a mobilização de moradores que relatam cobranças muito superiores aos valores habituais. Também foi levantada a possibilidade de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a atuação da concessionária.
Vereador relata despejo de esgoto no córrego Traíras
O vereador Marcondes Martignago relatou um episódio de extravasamento de esgoto nas proximidades do Industrial Gueno. Segundo ele, o problema persistiu durante praticamente todo o dia e provocou o despejo de resíduos no córrego Traíras.
O parlamentar afirmou que foi pessoalmente até a margem do curso d’água e constatou a ocorrência. Ele também mencionou registros anteriores envolvendo os córregos Velha Joana e Traíras, além de denúncias relacionadas ao córrego dos Bois.
Diante dos relatos, Martignago anunciou que encaminharia um ofício à Sama para solicitar análises da água em córregos, rios e ribeirões no entorno de Primavera do Leste.
“Eu quero o teste da água”, enfatizou o vereador, ao defender a realização de verificações que permitam esclarecer se os episódios de extravasamento provocaram alterações na qualidade dos recursos hídricos.
O parlamentar também questionou a metodologia das análises realizadas pela própria concessionária. Na avaliação dele, é necessário verificar as condições dos cursos d’água nos locais potencialmente atingidos pelos despejos, inclusive durante ou após as ocorrências denunciadas.
Captação de água entra no debate
Outro ponto levantado por Martignago foi a situação do córrego dos Bois, que, segundo o vereador, possui um sistema de captação relacionado ao abastecimento do município.
Ele questionou se a qualidade da água captada e a eficiência do tratamento estão sendo adequadamente monitoradas diante das denúncias de extravasamento de esgoto.
A preocupação é com a possibilidade de impactos ambientais e eventuais reflexos sobre o abastecimento público. Entretanto, a existência de contaminação e sua eventual extensão ainda dependem de comprovação técnica.
A coleta de amostras em pontos estratégicos, com análises realizadas por órgãos competentes, poderá contribuir para esclarecer as condições da água e identificar possíveis alterações.
O vereador também contestou a explicação apresentada após um dos episódios, segundo a qual uma pedra teria sido colocada na rede de esgoto, provocando o entupimento. Ele cobrou esclarecimentos sobre as causas dos extravasamentos e as medidas adotadas para evitar que situações semelhantes voltem a ocorrer.
CPI é sugerida para apurar denúncias
A possibilidade de ampliar a fiscalização sobre os serviços da Águas de Primavera também entrou em discussão. Durante o debate, o vereador Joélio Moraes sugeriu a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as reclamações relacionadas à concessionária.
A proposta mencionada envolve tanto os episódios de extravasamento de esgoto quanto as queixas sobre o aumento das faturas de água.
O parlamentar defendeu que a Câmara avalie documentos e informações de uma CPI realizada em legislatura anterior, com o objetivo de verificar os registros existentes e identificar elementos que possam fundamentar novas medidas de investigação.
A abertura de uma comissão, contudo, depende do cumprimento dos requisitos regimentais e dos procedimentos previstos para esse tipo de iniciativa no Legislativo municipal.
Moradores denunciam contas que chegam a R$ 1 mil
Além das questões ambientais, o valor das contas de água foi um dos principais pontos de insatisfação apresentados durante a discussão.
Marcondes Martignago afirmou que está sendo organizada uma mobilização de consumidores que relatam aumentos expressivos nas faturas. A iniciativa conta com a participação do Sargento Telles, que já vinha abordando o assunto e divulgando a mobilização nas redes sociais.
Segundo o vereador, há relatos de moradores que costumavam pagar entre R$ 100 e R$ 200 e passaram a receber contas muito mais elevadas, chegando, em alguns casos mencionados por ele, a aproximadamente R$ 1 mil.
O parlamentar também questionou os procedimentos adotados quando os consumidores contestam os valores. De acordo com seu relato, há situações em que a concessionária realiza verificações e informa não ter encontrado vazamentos, mesmo diante de diferenças significativas em relação às faturas anteriores.
Os casos citados durante o debate representam reclamações de consumidores e precisam ser analisados individualmente, considerando fatores como histórico de consumo, leituras do hidrômetro, possíveis vazamentos e critérios de faturamento.
Mobilização busca reunir consumidores
Para ampliar a pressão por esclarecimentos, os vereadores defendem que os moradores formalizem suas reclamações e apresentem documentos que permitam verificar os aumentos relatados.
Martignago informou que foi criado um grupo de WhatsApp para organizar os consumidores. O acesso, segundo ele, está sendo divulgado no perfil do Instagram do vereador Sargento Telles, por meio do link disponível na biografia da conta.
O objetivo é reunir moradores que consideram suas faturas incompatíveis com o consumo habitual, organizar as informações e fortalecer as cobranças por providências.
Durante a manifestação, Martignago também recordou uma mobilização semelhante realizada no ano anterior, que, segundo ele, teve pouca adesão. Por isso, defendeu maior participação da população nesta nova etapa.
A reunião de faturas, históricos de leitura e protocolos de atendimento poderá ajudar a identificar padrões nas reclamações e subsidiar os pedidos de esclarecimento à concessionária.
Cobranças exigem respostas da concessionária
As manifestações na Câmara colocam a Águas de Primavera diante de questionamentos em duas áreas de interesse público: a segurança ambiental dos serviços de esgotamento sanitário e a transparência na cobrança das tarifas de água.
No campo ambiental, os vereadores cobram análises independentes que permitam verificar as condições dos cursos d’água citados e esclarecer os possíveis efeitos dos extravasamentos. Já em relação às faturas, a principal reivindicação é que os aumentos sejam explicados e que as reclamações dos consumidores sejam apuradas.
Os parlamentares também defendem esclarecimentos sobre as causas dos extravasamentos, as medidas preventivas adotadas, o monitoramento da qualidade da água e os critérios utilizados no faturamento.
Até que sejam apresentados resultados técnicos e concluídas eventuais apurações, as denúncias devem ser tratadas como questões que exigem investigação, transparência e respostas verificáveis.
