ANÁLISE – O lançamento do programa Vira Saúde, nesta sexta-feira, 24, em Primavera do Leste, marcou o início de uma força-tarefa inédita para enfrentar filas históricas na saúde pública. Com mutirões já a partir deste sábado, 25, e a meta de zerar a demanda reprimida de exames no menor prazo possível, a iniciativa coloca a gestão municipal em ação imediata.

Mas, paralelamente ao anúncio de um dos programas mais relevantes da área nos últimos anos, um fato gerou repercussão: a ausência da maioria dos vereadores da Câmara Municipal.

Dos 15 parlamentares eleitos, apenas três participaram do evento: Marcondes Martignago, Sargento Telles e Maria do Supercompras, representando o Legislativo em um momento considerado decisivo para o setor. E estão, claro, de parabéns pela iniciativa, independentemente de serem situação ou oposição à gestão municipal.

Mas, a baixa presença levanta questionamentos inevitáveis. Se a saúde é uma das áreas mais cobradas pelos próprios vereadores no dia a dia, por que a maioria não esteve presente justamente no lançamento de um programa que promete enfrentar esse problema de forma estruturada?

Mais do que isso: o episódio abre espaço para uma reflexão ainda mais direta.
Seria essa ausência apenas uma coincidência de agenda ou existe, nos bastidores, uma postura de distanciamento, ou até de descrédito, em relação à iniciativa? E, se sim, isso seria torcer contra a própria população, não apenas contra a gestão municipal.

E mais: haveria, ainda que indiretamente, uma expectativa de que o programa não alcance êxito para que, posteriormente, as cobranças políticas ganhem força? Ou não seria este justamente o momento de união entre Executivo e Legislativo, independentemente de posicionamentos, para que uma ação dessa magnitude dê certo e, se der certo, que seja reconhecida como um avanço para toda a população primaverense?

O Vira Saúde não foi apresentado como um projeto de governo isolado, mas como um compromisso público diante de um cenário classificado como “colapso silencioso”, resultado de anos de acúmulo de demandas. Durante o evento, o prefeito Sérgio Machnic reforçou que a determinação é agir com rapidez. “Já começamos neste sábado. A meta é zerar essas filas o mais rápido possível. A população não pode mais esperar”, afirmou.

A secretária de Saúde, Laura Leandra, detalhou que a primeira fase prevê mais de 80 mil exames, mutirões com cerca de 14 mil atendimentos imediatos e a meta de eliminar filas em até 60 dias, além da ampliação da atenção básica e novos serviços.

Diante desse cenário, a ausência da maioria dos vereadores ganha ainda mais relevância. Afinal, além de fiscalizar, o papel do Legislativo também envolve acompanhar, propor e contribuir para que políticas públicas funcionem. Ademais, quando as iniciativas se mostrarem de fato, em sua concretude, não vão querer os doze restantes colher os louros da fama?

Bem, enquanto isso, o programa começa a ser executado já neste sábado, com impacto direto na vida de milhares de primaverenses. Resta agora a expectativa: o Vira Saúde terá o apoio amplo necessário para alcançar seus objetivos, ou seguirá também como mais um capítulo de distanciamento político em meio a um problema que exige, acima de tudo, soluções concretas?