Neste semana o presidente estadual do Partido Liberal (PL) mato-grossense, Ananias Filho praticamente “enquadrou”, alguns dos prefeitos das maiores cidades do estado: Cuiabá, Várzea Grande e Rondonópolis, por terem em princípio se mostrado mais favoráveis à candidatua ao governo do estado, do atual governador Otaviano Pivetta (REP), em detrimento de Wellington Fagundes (PL). Segundo ele, chegando as convenções e havendo “traidores”, estes serão convidados a se retirar da sigla.
Considerando que também entre estes eleitos pelo PL nas maiores cidades do estado estão o prefeito de Sinop, Roberto Dorner e o prefeito de Primavera do Leste, Sérgio Machnic, o gestor primaverense também se torna uma das peças mais observadas no tabuleiro político de Mato Grosso às vésperas das definições eleitorais.
Machnic vive um momento de equilíbrio delicado entre a fidelidade partidária e a manutenção da governabilidade do município. Eleito com apoio de lideranças do Partido Liberal, Machnic teve em seu palanque a presença ativa do senador Wellington Fagundes, hoje justamente um dos pré-candidatos ao Governo do Estado. Desde então, Fagundes mantém presença frequente em Primavera do Leste, reforçando laços políticos e institucionais com a gestão municipal.
Esse histórico constrói um elemento que pesa no cenário atual: a dívida política. Mais do que uma relação partidária, há um vínculo direto entre apoiador e apoiado, fator que, tradicionalmente, influencia decisões em momentos decisivos como este.
Ao mesmo tempo, a administração de Machnic tem sido beneficiada por investimentos do Governo do Estado, liderado até então por Mauro Mendes, com continuidade projetada no grupo político do agora governador Otaviano Pivetta, que desponta como outro nome competitivo na disputa estadual ao Paiaguás.
O cenário projetado com o aparente afastamento de Abílio Brunini, (Cuiabá), Flávia Moretti (Várzea Grande) e Cláudio Ferreira (Rondonópolis) evidencia uma possível rebelião interna no PL, especialmente entre gestores de cidades estratégicas, que passam a priorizar o alinhamento com o grupo que hoje detém a máquina estadual.
Diante desse cenário, Machnic ainda não declarou apoio público a nenhum dos lados, mesmo que a tendência seja seguir ao lado de Fagundes, mas o silêncio, longe de indicar indecisão, revela estratégia.
Nos bastidores, a leitura é de que o prefeito adota uma postura calculada: mantém alinhamento institucional com o Governo do Estado, garantindo fluxo de investimentos e obras para o município, ao mesmo tempo em que preserva a relação política com Fagundes e com o próprio PL.
A pressão interna do partido também entra na equação. O PL tem sinalizado que cobrará fidelidade de seus quadros nas convenções, o que eleva o custo político de uma eventual dissidência.
Nesse contexto, Primavera do Leste se torna um reflexo ampliado da disputa estadual: de um lado, a força partidária e o compromisso político; de outro, o pragmatismo administrativo e a proximidade com o governo em exercício.
A tendência, diante disso, é que a definição de Sérgio Machnic ocorra apenas no momento mais estratégico (possivelmente próximo às convenções partidárias), quando o cenário estiver mais claro quanto à viabilidade de cada candidatura.
Até lá, o prefeito segue em posição de equilíbrio, administrando pressões, preservando alianças e mantendo abertas todas as possibilidades. Em um ambiente político cada vez mais pragmático, o silêncio de Machnic fala alto, e pode contribuir muito com o rumo das eleições em Mato Grosso.
