Embora Cuiabá, Cáceres e Sinop liderem o ranking das cidades com maior número de assassinatos de mulheres em Mato Grosso, os dados do 3º Anuário da Mulher (2025), divulgado pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT), revelam que a violência contra o público feminino também preocupa no sudeste mato-grossense.
A Região Integrada de Segurança Pública (RISP 11), cuja sede é Primavera do Leste, contabilizou 2.450 registros de violência contra a mulher em 2025. O número envolve ocorrências como ameaças, agressões, lesão corporal, perseguição e outros tipos de violência, evidenciando que o problema está presente na rotina de milhares de famílias da região.
A RISP 11 abrange os municípios de Primavera do Leste, Campo Verde, Paranatinga, Poxoréu, Gaúcha do Norte e Santo Antônio do Leste, reunindo uma população superior a 212 mil habitantes.
Entre essas cidades, Poxoréu foi a única a registrar feminicídio ao longo do ano, segundo o levantamento estadual. Apesar de os demais municípios não aparecerem entre os casos de mortes por razões de gênero, o alto volume de notificações demonstra que a violência costuma começar muito antes de atingir seu desfecho mais extremo.
No panorama estadual, Mato Grosso registrou 95 assassinatos de mulheres em 2025. Desses, 53 foram enquadrados como feminicídio, o equivalente a 56% de todas as mortes violentas de vítimas do sexo feminino.
O ranking das cidades com maior número de assassinatos de mulheres é liderado por Cuiabá e Cáceres, com sete casos cada, seguidas por Sinop, com seis mortes. Na sequência aparecem Rondonópolis e Várzea Grande, com cinco registros cada. Com três mortes cada estão Aripuanã, Lucas do Rio Verde, Peixoto de Azevedo, Sorriso e Tangará da Serra.
Quando a análise considera exclusivamente os feminicídios, Sinop aparece no topo da lista, com cinco vítimas. Cuiabá, Lucas do Rio Verde e Várzea Grande registraram três casos cada. Cáceres, Guarantã do Norte, Nobres, Nova Mutum, Rondonópolis e Sorriso contabilizaram dois feminicídios.
Outro dado que chama atenção é que 49% das mortes de mulheres tiveram origem em situações de violência doméstica, confirmando que o ambiente familiar ainda representa um dos principais locais de risco para as vítimas. Já as facções criminosas estiveram relacionadas a 25% das ocorrências letais registradas no estado.
Das 95 mulheres assassinadas em Mato Grosso no período analisado, 47 perderam a vida dentro das próprias residências. A maioria das vítimas tinha entre 25 e 45 anos de idade, faixa considerada economicamente ativa.
Apesar da redução de 4% no total de assassinatos de mulheres em comparação com o ano anterior, o anuário aponta um crescimento de 13% nos feminicídios. Para especialistas e autoridades da área, os dados reforçam a necessidade de ampliar as políticas de prevenção, fortalecer a rede de acolhimento e incentivar as denúncias ainda nos primeiros sinais de violência.
Na região de Primavera do Leste, os 2.450 registros funcionam como um alerta: por trás de cada boletim de ocorrência existe uma mulher que precisou buscar ajuda. Romper o ciclo da violência antes que ele resulte em tragédia continua sendo o maior desafio das instituições e de toda a sociedade.
