Governador já soma 13 multas eleitorais e R$ 168,8 mil em penalidades; reta final é marcada por ataques ao adversário, resgate de episódio de 1996, vídeo com Tarcísio e promessas de última hora
A dez dias da eleição, a campanha de Otaviano Pivetta parece ter entrado em uma nova fase: quanto mais a urna se aproxima, mais Wellington Fagundes ocupa o centro da comunicação do governador. São ataques diretos, provocações, vídeos, resgate de episódios de três décadas atrás e uma sequência de decisões da Justiça Eleitoral. Ao mesmo tempo, novas promessas entram no discurso de campanha, especialmente em áreas sensíveis como saúde e infraestrutura.
A multa mais recente veio nesta quarta-feira (23), quando a Justiça Eleitoral determinou que Pivetta pague R$ 5.320,50 pela permanência de 14 matérias institucionais no site oficial do Governo durante o período eleitoral. A secretária de Comunicação, Laice Souza, também foi multada. Com a nova decisão, o levantamento chega a 13 multas e R$ 168.886,50 em penalidades. Algumas decisões ainda estão sujeitas a recurso.
Mas a estratégia de confronto não ficou restrita à publicidade oficial. Em agosto, o próprio Pivetta foi multado em R$ 5 mil por propaganda negativa contra Wellington após declarações feitas ao MidiaNews, nas quais associou o adversário à “cena do crime”, chamou-o de “negociador voraz de emendas” e fez referência a suposta “roubalheira”. O TRE considerou que a liberdade de expressão não autorizava imputações de crimes sem condenação prévia.
Agora, na reta final, o arsenal ganhou um ingrediente ainda mais pessoal. Por meio de um movimento articulado com alguns sites da capital, Pivetta comentou uma reportagem que resgatou um episódio de 1996, quando Wellington era deputado federal, relacionado a um pedido de ressarcimento de US$ 40 mil à Câmara. Segundo a matéria sem provas, a despesa teria sido apresentada como cirurgia de hemorroidas, embora o procedimento fosse um implante capilar. O que chama a atenção é que o assunto sendo levantado 30 anos depois.
A ofensiva ganhou também um reforço de peso político. Em vídeo gravado ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, Pivetta apresentou o encontro como uma oportunidade para provocar Wellington e afirmou que Tarcísio teria sido o responsável por “expulsá-lo do DNIT”. A referência diz respeito a mudanças ocorridas em 2019, quando Tarcísio era ministro da Infraestrutura. Uma questão administrativa de sete anos atrás foi transformada, na reta final de 2026, em peça de ataque eleitoral.
Enquanto isso, entram em cena promessas de forte apelo popular, como a proposta de criar uma “praia” no Rio Cuiabá, além de novas declarações sobre saúde, hospitais, alta complexidade e atendimento regional. No caso da saúde, Pivetta também foi questionado sobre a realização de concursos para médicos e afirmou que novas seleções poderiam ocorrer “se necessário”, defendendo a contratação de serviços e a gestão de contratos.
Faltam dez dias. E a temperatura subiu. O que parecia ser uma campanha para defender realizações começa a ganhar contornos de uma disputa cada vez mais concentrada em desqualificar o principal adversário. A pergunta que fica é simples: por que, a dez dias da eleição, a campanha de Pivetta precisa voltar a 1996 para falar de Wellington? Será que ele sabe de alguma pesquisa ainda a ser divulgada que justificaria esse desespero?
